O ator Marcelo Serrado apresenta o espetáculo de humor “Um Pai de Outro Mundo” no Teatro Eduardo Kraichete, em Icaraí, Zona Sul de Niterói. A comédia, encenada em monólogo, será apresentada até domingo (14). Contudo, além do brilho nos palcos, Serrado também compartilha um lado pessoal delicado: as crises de ansiedade que vem enfrentando desde 2020.
Em entrevista ao ENFOCO, Serrado revelou como a peça, que trata das aventuras de um pai equilibrando as demandas familiares, ressoa com suas experiências pessoais. “Na peça tem muita coisa que vivi, outras a Claudia [Mauro, co-autora] e outras ficção, mas queremos com a peça além de divertir, mostrar a importância do pai na formação dos filhos”, afirma o ator.
O ator também compartilhou detalhes sobre sua preparação para o espetáculo e os desafios enfrentados.
Mas a vida fora dos palcos trouxe desafios. Em junho, uma crise de ansiedade impediu Serrado de embarcar em um voo dos Estados Unidos para o Brasil, um problema que ele vem enfrentando há 4 anos, após um período de esgotamento profissional. “Foi após um voo longo que apareceu a Síndrome de Burnout. Vinha de trabalhos intensos e muito cansado”, disse o ator, enfatizando a importância de falar sobre saúde mental.
Transtorno mental
Os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) são alarmantes: o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas, com 9,3% da população afetada. Outro levantamento, da plataforma Vittude, aponta que 37% das pessoas estão com estresse extremamente severo, enquanto 59% se encontram em estado máximo de depressão e a ansiedade atinge níveis mais altos, chegando a 63%.
Para entender melhor o contexto de saúde mental no Brasil, o ENFOCO conversou com Artur Costa, psicanalista e professor sênior da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC), e Ana Sfoggia, professora de psiquiatria da Escola de Medicina da PUCRS. Segundo Costa, os transtornos mentais mais comuns no Brasil incluem transtornos de ansiedade, depressão e estresse severo.
Sfoggia acrescenta que “o adoecimento da população está na faixa etária mais atingida entre 16 e 24 anos, uma fase marcada por muitas transições biopsicosociais e maior vulnerabilidade ao estresse”.
Costa também comentou sobre os tratamentos mais eficazes para os transtornos mentais.
“Além disso, novas terapias medicamentosas e abordagens da psiquiatria intervencionista também estão sendo desenvolvidas para tratar depressões e outros transtornos mentais refratários”, completou Sfoggia.
Marcelo Serrado, ao compartilhar sua experiência pessoal e a maneira como lida com as crises, reforça a necessidade de procurar ajuda.
Sfoggia enfatiza a importância da psicanálise no tratamento dos transtornos mentais.
A crise de saúde mental no Brasil está impactando diversos ambientes, como destacou Sfoggia.
“Estamos enxergando a crise de saúde mental nas casas, com aumento da violência doméstica, nas escolas, com maior prevalência de transtornos ansiosos e depressivos, na universidade e no ambiente de trabalho, com índices cada vez maiores de burnout”.