A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial terminou em frustração. Após abrir os desfiles da elite do Carnaval 2026 com um enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escola caiu para a Série Ouro, mantendo a tradição do sobe e desce entre agremiações récem-saídas do acesso.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação sacudiu o Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Criado pelos enredistas Igor Ricardo e Tiago Martins, o desfile apostou na trajetória do presidente e dividiu opiniões dentro e fora da avenida.
O samba-enredo, assinado por Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr., embalou a escola em um desfile marcado por emoção, militância e forte carga política.
Polêmica na Avenida e nos bastidores da Acadêmicos de Niterói
A apresentação ganhou ainda mais repercussão após parlamentares conservadores criticarem uma ala que retratava famílias tradicionais “dentro” de latas de conserva. Nas redes sociais, opositores reagiram com ironias e montagens feitas por inteligência artificial, ampliando o embate político em torno da homenagem.
Setores da oposição tentaram levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando suposta propaganda eleitoral antecipada. O PT rebateu, afirmando que o desfile foi uma manifestação artística autônoma e que não houve pedido explícito de voto, condição essencial para caracterizar irregularidade eleitoral.
Confusão na dispersão
Como se não bastasse a tensão política, o desfile também foi cercado por questionamentos logísticos. A Imperatriz Leopoldinense relatou dificuldades para deixar a área de dispersão, alegando que três carros alegóricos da Acadêmicos de Niterói estariam posicionados no trecho de saída, bloqueando a passagem logo após o encerramento.
Segundo a Imperatriz, a situação provocou uma paralisação de cerca de cinco minutos e impactou a evolução final. A presidente Catia Drumond informou que a escola acionou a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) para registrar oficialmente a reclamação.