O cenário político fluminense enfrenta uma possível reconfiguração após o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira (24). Acontece que o documento recomenda que o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) seja declarado inelegível por um período de oito anos, o que, na prática, o afastaria das urnas até 2032 e eliminária qualquer chance de concorrer às eleições desse ano.
A fundamentação da Procuradoria aponta irregularidades ocorridas durante a campanha para a Prefeitura de Niterói em 2024. O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, sustenta que o parlamentar não foi apenas um beneficiário passivo, mas participante ativo de um esquema envolvendo o uso indevido de meios de comunicação para atacar o adversário Rodrigo Neves (PDT).
O esquema “O Fluminense” e o abuso midiático
Segundo a PGE, o foco da investigação reside na distribuição gratuita e em larga escala de exemplares do jornal O Fluminense. Segundo os autos, o impresso veiculava sistematicamente conteúdo negativo contra Neves, adversário de Jordy na disputa. Além da distribuição física, o parecer destaca que deputado utilizava suas redes sociais para antecipar as manchetes do jornal, configurando uma estratégia coordenada.
Anteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) já havia condenado o proprietário do veículo à inelegibilidade, mas havia poupado a chapa de Jordy. A nova análise da PGE, entretanto, redefine a responsabilidade direta do candidato e de sua vice, Alexandra Ferro.
“A moldura fática reconhece que os recorridos Carlos e Alexandra contrataram pessoas para a distribuição gratuita de jornais que […] promoveu ‘sistemática e reiterada veiculação de conteúdo desproporcional’. Essa assertiva permite inferir uma conduta de participação de ambos os candidatos no abuso midiático”, afirmou o procurador Alexandre Espinosa no documento.
Próximos passos do TSE?
O processo agora aguarda a decisão do plenário do TSE. O relator do caso é o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Embora ainda não exista uma data oficial para o julgamento, especialistas apontam que o peso do parecer da PGE eleva consideravelmente a probabilidade de uma condenação ainda no ciclo de 2026.
Caso o tribunal siga a recomendação da Procuradoria, o impedimento de Jordy para disputar qualquer cargo público passará a valer imediatamente após a publicação do acórdão.
O que diz a defesa de Jordy?
Em nota, a defesa do deputado federal Carlos Jordy esclarece que o parecer não reflete as provas do processo, limitando-se a repetir argumentos do Ministério Público Eleitoral. No julgamento, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), por unanimidade (7 a 0), rejeitou o recurso e absolveu o parlamentar, reconhecendo a ausência de participação nos fatos.
A defesa reafirma confiança na Justiça Eleitoral e ‘entende que eventual novo recurso não deve prosperar, já que a matéria foi devidamente analisada nas instâncias anteriores com base no conjunto probatório’.