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Brasil registra aumento de casos graves de doenças respiratórias

Redação | Publicado em: - Atualizado 5 meses atrás

Brasil registra aumento de casos graves de doenças respiratórias
Maioria dos estados está em alerta ou alto risco para SRAG, segundo Fiocruz - Foto: Agência Brasil

O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) continua crescendo no Brasil e já acende alerta em praticamente todo o país. Dados divulgados nesta quinta-feira (28) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram aumento das internações em todas as faixas etárias, principalmente por causa da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e da influenza A.

Segundo o novo Boletim InfoGripe, referente à Semana Epidemiológica 20, entre os dias 17 e 23 de maio, o avanço dos casos está relacionado a diferentes vírus, dependendo da idade dos pacientes. Entre crianças de até 4 anos, o principal responsável pelas hospitalizações é o VSR. Já entre crianças maiores e adolescentes, o rinovírus aparece como destaque. Nos adultos e idosos, a influenza A lidera os registros de SRAG.

Os casos ligados à Covid-19 continuam em baixa na maior parte do território nacional, mas pesquisadores identificaram sinais de crescimento ou retomada da circulação do vírus no Ceará, Maranhão e Pará.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, afirmou que o momento exige atenção redobrada da população, especialmente dos grupos prioritários para vacinação.

Segundo ela, as vacinas contra influenza e VSR ajudam a evitar formas graves da doença e reduzem o risco de morte. A especialista lembrou que a vacina contra o VSR é destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês nos primeiros meses de vida. Já a vacinação contra a gripe é voltada para idosos, crianças, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades, entre outros grupos de risco.

Além da imunização, a Fiocruz orienta a população a manter medidas de prevenção, como cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência, evitar compartilhar objetos pessoais e usar máscara em caso de sintomas gripais.

Estados e capitais

O levantamento mostra que todos os estados brasileiros, com exceção de Rondônia, estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG nas últimas duas semanas.

Além disso, 20 unidades da federação apresentam tendência de crescimento dos casos no período das últimas seis semanas: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

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Foto: Divulgação / Fiocruz

O vírus sincicial respiratório continua avançando nos estados do Sudeste e do Sul, além de parte do Nordeste e do Norte. Em algumas regiões do Centro-Oeste, porém, os dados já indicam desaceleração ou queda, embora os números ainda sejam considerados altos.

As hospitalizações por influenza A seguem em crescimento em toda a região Sul e em estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins. Minas Gerais e Paraíba ainda registram índices elevados, mesmo com sinais de estabilização.

O rinovírus também tem aumentado os casos de SRAG, principalmente entre crianças e adolescentes de estados como Alagoas, Paraíba, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Santa Catarina.

Entre as capitais, 15 apresentam cenário de alerta ou alto risco com tendência de crescimento dos casos: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Macapá, Palmas, Porto Alegre, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e Teresina.

Dados epidemiológicos

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR foi responsável por 47,6% dos casos positivos de vírus respiratórios identificados em pacientes com SRAG. Em seguida aparecem o rinovírus, com 23,9%, e a influenza A, com 22,4%.

Entre os óbitos registrados no mesmo período, a influenza A aparece com maior impacto, respondendo por 51,2% das mortes entre os casos positivos. O rinovírus correspondeu a 17,2%, enquanto o VSR representou 13,4%. A Covid-19 ficou em 9,6%.

Desde o início de 2026, o país já notificou 70.211 casos de SRAG. Desse total, 33.245 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. Outros 25.790 foram descartados, enquanto mais de 6 mil ainda aguardam confirmação laboratorial.

Incidência e mortalidade

Os dados da Fiocruz mostram que a incidência de SRAG continua mais alta entre crianças pequenas, principalmente por causa do VSR. Já a mortalidade permanece concentrada entre idosos, com maior impacto da influenza A.

Nos casos associados à gripe influenza A, a incidência é maior entre crianças menores de 2 anos, enquanto as mortes atingem principalmente pessoas com mais de 65 anos.

Já os casos de SRAG relacionados à Covid-19 seguem em baixa em todas as faixas etárias analisadas.

O InfoGripe é uma ferramenta do Sistema Único de Saúde (SUS) usada para monitorar a circulação de vírus respiratórios e orientar ações de vigilância em saúde em todo o país.

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