Vídeo obtido pelo ENFOCO mostra momentos de correria, gritos de desespero e disparos segundos antes da morte do vidraceiro Eduardo de Castro Ornellas, de 26 anos, no bairro Pacheco, em São Gonçalo, no último domingo (31).
O jovem, que também trabalhava como motorista de aplicativo nas horas vagas, será velado a partir das 8h desta terça-feira (2), no Cemitério Parque da Paz, enquanto familiares cobram esclarecimentos sobre a ação policial que terminou com sua morte. O enterro está marcado para às 11h30.
De acordo com relatos, Eduardo seguia de moto com a namorada para a casa da mãe quando foi abordado por policiais do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM), pouco antes das 16h, na Rua Monsenhor Benedito Marinho. A mulher também ficou ferida durante a ação. Ele já teve alta médica.
Segundo o tio da vítima, Dihm Peterson, de 28 anos, o sobrinho jamais representou qualquer ameaça aos policiais, considerando seu histórico profissional. “Ele nunca foi envolvido com nada. Sempre foi trabalhador”, afirmou.
De acordo com a família, Eduardo estava a cerca de 300 metros da casa da mãe quando recebeu ordem de parada. Mas ele não teria obedecido imediatamente à abordagem.
“Ele ficou nervoso e na hora não parou pelo fato do documento da moto estar atrasado. E ele usa para trabalhar”, contou.
Ainda segundo Dihm, um primeiro disparo atingiu a perna da namorada do jovem. Com a queda da motocicleta e diante do desespero da situação, Eduardo teria tentado fugir correndo.
“Ele viu a namorada baleada, ficou desesperado e saiu correndo com medo. Foi nesse momento que atiraram nele. Mataram meu sobrinho a 300 metros da casa da mãe dele”, lamentou.
O familiar também afirma que o policial responsável pelo disparo teria admitido um erro ao pai da vítima, durante o reconhecimento do corpo.
“A desculpa do policial para o pai, com o corpo do filho ao lado, foi que confundiu o celular na cintura com uma arma. Disse: ‘eu matei porque ele colocou a mão na cintura, depois fui ver que era um celular’. Falou isso para o pai dele, que estava chorando aos prantos”, relatou.
Indignado, Dihm questiona a necessidade do disparo fatal.
“Se era uma abordagem para conter, por que não atirou na perna? No pé? Foi logo no pescoço. Saíram com a intenção de arrancar pessoas de bem da terra”, desabafou.
Imagens de câmeras de segurança mostram momentos de correria e gritos de desespero na região pouco antes dos disparos, registrados por volta das 15h57.
PM afasta policial e abre investigação
Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral da Corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência envolvendo equipes do RECOM.
A corporação confirmou que uma mulher ficou ferida e que um homem foi atingido por disparo de arma de fogo, não resistindo aos ferimentos. A área foi isolada para perícia e o caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNSG).
Ainda segundo a PM, o policial envolvido foi afastado imediatamente das atividades operacionais até a conclusão das apurações.
Protestos após a morte
Horas após a morte de Eduardo, moradores realizaram protestos na região. Segundo a Polícia Militar, objetos foram incendiados e ônibus utilizados para bloquear vias próximas às ruas Marechal Póvoas e São Pedro, em São Gonçalo.
Equipes do RECOM foram mobilizadas para desobstruir os acessos. A corporação informou que as ruas foram liberadas e que o policiamento foi reforçado na localidade.