A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta sexta-feira (19), uma operação para prender os suspeitos de envolvimento no homicídio de um adolescente de 14 anos que foi torturado e encontrado esquartejado em Guaratiba, na Zona Oeste da capital. A ação é coordenada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e também tem como objetivo enfraquecer a atuação do Comando Vermelho na região.
As diligências ocorrem nas comunidades César Maia, Coroado e Fontela, em Vargem Pequena, onde agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
De acordo com as investigações, Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, morava em Senador Camará e esteve na Comunidade César Maia no dia 29 de março. O adolescente estava acompanhado de dois amigos para encontrar a namorada de um deles.
Segundo a Polícia Civil, quando o grupo deixava a comunidade, os três foram interceptados por criminosos armados e levados de volta para o interior da localidade.
As apurações apontam que os adolescentes foram submetidos a uma sessão de tortura. Dois deles conseguiram escapar, mas Ronaldo permaneceu sob o poder dos criminosos e desapareceu.
Dois dias depois, o corpo do jovem foi encontrado esquartejado em Guaratiba, causando forte repercussão e mobilizando equipes especializadas da Polícia Civil.
Investigação identificou suspeitos do crime
A partir de um trabalho investigativo que incluiu oitivas, diligências de campo e análise de informações de inteligência, a Delegacia de Homicídios da Capital conseguiu identificar os principais envolvidos no assassinato.
Segundo a corporação, quatro adultos foram apontados como responsáveis diretos pelo crime. Além deles, um adolescente também teria participado da ação criminosa.
Com base nas provas reunidas durante a investigação, a DHC solicitou à Justiça a prisão dos suspeitos e a apreensão do menor investigado.
Durante o avanço das investigações, os policiais identificaram que a Comunidade César Maia tem sido utilizada como uma importante base operacional do Comando Vermelho para ampliar sua presença em áreas da Zona Oeste e da Zona Sudoeste do Rio.
De acordo com os agentes, o local funciona como ponto estratégico para planejamento de ações criminosas, abrigo de traficantes e rota de fuga após ataques realizados em diferentes regiões da cidade.
A Polícia Civil afirma que a estrutura instalada na comunidade tem contribuído para o fortalecimento da organização criminosa em áreas tradicionalmente disputadas por facções rivais e grupos paramilitares.
Ligações com outros homicídios investigados
As investigações também apontaram conexões entre integrantes da Comunidade César Maia e outros crimes de grande repercussão registrados recentemente no Rio de Janeiro.
Um dos casos citados pela Polícia Civil é o assassinato do policial civil João Pedro Marquini, ocorrido em março de 2025. Segundo as apurações, criminosos ligados ao Comando Vermelho retornavam de uma ação contra grupos milicianos em Santa Cruz quando tentaram roubar os veículos do agente e de sua esposa.
Durante a abordagem, o policial foi morto. Após o crime, os suspeitos fugiram para a Comunidade César Maia. O veículo utilizado na ação criminosa acabou sendo localizado na região.
Outro episódio investigado é a morte do casal Igor Dante Santos e Ariane Anselmo Cortes, que estava grávida. O crime ocorreu em abril deste ano na Comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes.
Segundo as investigações, os autores confundiram as vítimas com integrantes de grupos milicianos e efetuaram diversos disparos. A Polícia Civil afirma que os envolvidos possuíam ligação com a estrutura criminosa instalada na César Maia.
A Delegacia de Homicídios informou ainda que outros assassinatos registrados na região de Guaratiba apresentam indícios de participação de traficantes vinculados ao Comando Vermelho.
De acordo com os investigadores, os criminosos utilizariam a Comunidade César Maia como base logística para planejar e executar ataques em áreas sob influência de grupos rivais.
As informações reforçam a estratégia da Polícia Civil de concentrar esforços não apenas na prisão dos responsáveis pela morte de Ronaldo Henrique Souza Peixoto, mas também no enfraquecimento da estrutura criminosa que atua na região.