Skip to content

Segurança Pública

Familiares relatam como professor investigado teria agido com alunas em São Gonçalo

Ezequiel Manhães | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

Investigação do caso está sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento à Mulher de São Gonçalo. Foto: Arquivo

Mensagens insistentes, convites para sair, promessas de presentes e o pedido para que uma adolescente vítima de assédio convencesse outra a não denunciar um suposto abuso relacionado a vídeo íntimo estão entre as acusações atribuídas a um professor de Educação Física investigado por crimes sexuais envolvendo uma estudante do 9º ano e uma ex-aluna do Colégio M3, em Alcântara, São Gonçalo.

O caso é apurado pela Polícia Civil. O professor foi demitido pela instituição, teve o celular apreendido para perícia e já há duas vítimas identificadas, embora novas denúncias não estejam descartadas. Ele chegou a ser conduzido à delegacia, mas foi liberado por não haver situação de flagrante.

As duas adolescentes vítimas, ambas de 14 anos, devem prestar depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de São Gonçalo (DEAM-SG) ainda nesta semana.

“Ele filmou e enviou um vídeo íntimo para minha filha, mas ela apagou. Na conversa com a amiga, ele menciona o vídeo e, com o policial, também admite que gravou. Ele disse: ‘dei mole, teve sexo oral, mas não teve penetração’ e ainda afirmou que queria falar com os pais”, relata um pai, de 35 anos, responsável por uma das vítimas.

Por envolver menores, a reportagem não identificará os denunciantes.

A ocorrência inicialmente registrada na 74ª DP como importunação sexual foi encaminhada à DEAM-SG, que também ficará responsável pela apuração do caso de estupro de vulnerável.

A defesa do investigado não foi localizada pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

“Fiquei muito desanimado [por ele ter sido liberado] porque tudo que fazemos parece que não valeu a pena. Um crime contra criança, ele confessou, várias provas… isso só dá forças para quem pratica o crime. O delegado falou que o ato tem que ser no dia, para ser preso em flagrante”, lamentou o pai.

Relatos das famílias

A mãe de outra adolescente de 14 anos afirmou ter descoberto as mensagens de assédio contra a filha após relatos da outra família. Segundo ela, a aproximação do suspeito começou no ano passado, quando as meninas tinham 13 anos. “Ele começa como amigo”, disse.

De acordo com a denúncia, o professor mantinha contato frequente, criava vínculo de confiança e insistia para que a adolescente retornasse à escola após a troca de unidade. A família afirma ainda que ele oferecia não só presentes, mas também pagamento de serviços e ajuda financeira.

Após a recusa de um convite para sair, a adolescente teria sido cobrada pelo professor. No dia seguinte, segundo o relato, ele pediu que ela convencesse uma amiga a não relatar o caso supostamente cometido contra a outra menina.

“Ele não chegou a dar presente para minha filha, mas ele falava para ela que ia pagar a unha dela, que pagaria as coisas para ela, que ia na escola nova dela entregar um presente surpresa, mas minha filha desconversava e ele nunca foi. Se eu soubesse dos casos antigos nunca teria colocado minha filha nessa escola”, conta a mãe.

Descoberta do outro caso

O pai da outra adolescente relatou ter tomado conhecimento do caso após comentários no condomínio onde mora. Segundo ele, a filha teria mencionado o envio de um vídeo pelo professor.

“Essa conversa na quadra do condomínio foi antes do aniversário dela… que ela passou a semana na minha casa, entre os dias 9 e 12 de junho. Ele ameaçava as crianças falando que iria ajudar passar e iria dar presentes, chamava pra sair. A escola se quer perguntou se precisamos de alguma coisa. Não falaram nada e o diretor ficou com cara de deboche. Até discuti com ele. Enquanto falei com ele lá fora, porque ele me atendeu fora da escola, o safado estava dentro da escola. Quando fiquei sabendo disso, chamei a polícia”, contou.

Ele afirma que o conteúdo teria sido apagado pela menor por medo, mas que mensagens ainda fariam referência ao material. O responsável também reafirma que o professor teria admitido a gravação durante abordagem policial na escola.

A menor já foi retirada da escola e recebe acompanhamento psicológico. A outra vítima já não estuda lá desde o ano passado.

Em um print, obtido pela reportagem, o investigado diz para uma adolescente que ela “nunca tem tempo para me encontrar” e pede para ela conversar com a amiga “e não fazer besteira, se não vai dar uma merda federal”.

HORIZONTAL FOTO 1200X675 2 1 1

Depoimentos e investigação

Ao ENFOCO, o delegado Marcello Maia já havia informado na última sexta-feira (19) que o professor confessou os fatos relacionados ao registro feito na delegacia, mas foi liberado – uma vez que, segundo a autoridade policial, não havia flagrante.

“O investigado foi conduzido à 74ª DP, confessou os fatos, mas não ficou preso porque não havia situação flagrancial”, afirmou o delegado.

Segundo Marcello Maia, um inquérito policial foi instaurado para aprofundar as investigações e o telefone celular do professor foi apreendido para perícia.

“O telefone do professor foi apreendido para perícia, já que há relatos de que havia conteúdo sexual infantojuvenil nos arquivos”, acrescentou.

O delegado esclareceu, ainda, que o caso ficará a cargo da DEAM-SG.

Escola e andamento do caso

O Colégio M3 confirmou a demissão do professor após as denúncias e informou que colabora com as investigações. A instituição disse ainda que presta apoio a alunos e familiares.

“O Colégio M3 confirma o desligamento do professor do seu quadro de funcionários e está à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. O Colégio M3 teve conhecimento das denúncias a partir da informação de familiares e a chegada da Polícia Militar no dia 18 de junho à tarde nas dependências da instituição de ensino. As medidas de acolhimento aos estudantes e famílias adotadas envolveram a necessária transparência por parte da equipe do M3, ampliação da escuta ativa e diálogo com os alunos e seus familiares, reafirmando o compromisso institucional com um ambiente escolar seguro para todas as pessoas. A direção da escola estará sempre a disposição quando necessário”, finaliza a nota.

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Ministério do Meio Ambiente investiga possível atuação organizada por trás dos focos de fogo. Operação já extinguiu 292 incêndios, mas oito permanecem ativos no estado.
Brasil & Mundo

Incêndios no Amazonas: força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar suspeitos

Descarte de lixo eletrônico nos Correios é gratuito em 6.868 agências. Serviço recebe celulares, notebooks e outros aparelhos de até 30 kg.
Brasil & Mundo

Correios passam a receber lixo eletrônico gratuitamente em todo o Brasil

Niterói vai recuperar teatro histórico fechado há mais de três décadas
Niterói

Niterói vai recuperar teatro histórico fechado há mais de três décadas

Papa Leão XIV reaparece após cirurgia no pulmão e promete voltar à rotina aos poucos
Brasil & Mundo

Papa Leão XIV reaparece após cirurgia no pulmão e promete voltar à rotina aos poucos