Comprar ou alugar imóvel em Niterói ficou mais caro. O mais recente levantamento realizado Sindicato da Habitação (Secovi Rio), obtido pelo ENFOCO, revela que o mercado imobiliário do município da Região Metropolitana segue aquecido, com valorização em praticamente todos os bairros pesquisados e também com alta nos valores dos aluguéis.
Os dados, referentes a abril de 2026, mostram que, dos 24 bairros analisados, 21 registraram aumento no preço médio do metro quadrado para venda nos últimos 12 meses. No mercado de locação, os seis bairros monitorados também apresentaram valorização.
Camboinhas e Itacoatiara no topo
Na venda de imóveis, Camboinhas, na Região Oceânica, lidera o ranking do metro quadrado mais valorizado da cidade, com média de R$ 12.660, além de uma valorização de 17,2% em um ano.
Em seguida aparecem Piratininga (R$ 11.160), Charitas (R$ 10.702), Itacoatiara (R$ 9.926), Gragoatá (R$ 8.955), São Francisco (R$ 8.337), Icaraí (R$ 8.209) e Ingá (R$ 7.668).
Quando o assunto é valorização percentual, Itacoatiara ocupa a primeira posição, com alta de 18,3% nos últimos 12 meses. Na sequência vêm Camboinhas (17,2%), Santa Rosa (10,9%), Jacaré (9,4%) e Vital Brazil (9,2%). Apenas Badu (-0,5%), São Lourenço (-2,7%) e Maria Paula (-0,003%) não acompanharam a tendência de alta.
Para Luiz Moreira, CEO da Self Spin, a valorização do mercado imobiliário em Niterói é resultado da combinação entre qualidade de vida, infraestrutura consolidada, novos empreendimentos e o interesse crescente de investidores.
“O município reúne uma infraestrutura urbana consolidada, comércio forte, serviços de saúde privados de ponta e um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. Somado a isso, o apelo das praias e das áreas verdes faz com que Niterói continue atraindo moradores de outras cidades e até de outros estados”, explica.
Segundo o especialista, esse movimento é percebido principalmente em bairros tradicionais da Zona Sul, como Icaraí e Ingá, e na Região Oceânica, com destaque para Itacoatiara e Camboinhas.
“Esse fluxo constante de novos moradores mantém a pressão da demanda e contribui diretamente para a valorização dos imóveis nessas regiões”, observa.
Moreira afirma ainda que os lançamentos imobiliários dos últimos anos ajudaram a elevar o patamar do mercado. Em 2025, a cidade registrou cerca de 29 empreendimentos, com aproximadamente 3 mil novas unidades residenciais, conforme aponta o Secovi Rio.
“O Centro liderou a oferta, enquanto bairros como Icaraí, São Francisco e Ingá concentraram boa parte dos empreendimentos de médio e alto padrão. Esses novos produtos modernizam o estoque imobiliário da cidade, elevam a régua de preços e acabam puxando também a valorização dos imóveis usados”, analisa.
Outro fator apontado pelo executivo é a força do mercado de locação, que vem atraindo investidores.
“O aluguel aquecido oferece exatamente o que o investidor procura: renda mensal previsível aliada ao ganho de capital proporcionado pela valorização do imóvel. Esse cenário aumenta a procura por imóveis para investimento e ajuda a sustentar a alta dos preços”, afirma.
Disparada do aluguel

Quem busca um imóvel para alugar também encontra preços mais elevados. O Ingá registrou a maior valorização no período, com alta de 27,9%, chegando a R$ 42,25 por metro quadrado. Icaraí aparece logo atrás, com aumento de 25,7% e média de R$ 42,03/m². O Centro completa o trio, com valorização de 22,7% e preço médio de R$ 32,04/m².
Apesar disso, Piratininga continua sendo o bairro mais valorizado para aluguel em Niterói, com o metro quadrado custando, em média, R$ 56,52. Santa Rosa registra R$ 31,93 e o Fonseca, R$ 19,21.
Segundo Davi Saramago, empresário e conselheiro da Ademi-Niterói, que atua há 18 anos no setor imobiliário, a Região Oceânica vive um período de forte valorização impulsionado por investimentos públicos em infraestrutura: “A gente está numa região de franco crescimento e valorização”.
Ele lembra que o bairro de Piratininga recebeu novo asfaltamento, iluminação pública em LED, revitalização da orla e melhorias que transformaram completamente a região nos últimos anos.
“Hoje você pode praticar esporte na areia à noite, fazer caminhadas. É um bairro novo, moderno e com grande perspectiva de crescimento”, avalia.
‘Boom’ imobiliário

Os números refletem um mercado que continua atraindo compradores e investidores. Em 2025, Niterói contabilizou 29 empreendimentos imobiliários, totalizando 3.003 unidades residenciais. Destas, 2.100 foram comercializadas, o equivalente a 70% do total.
O Centro concentrou o maior volume de lançamentos, com 1.211 unidades, seguido por Icaraí (458), São Francisco (290), Ingá (209), Charitas (207), Fonseca (167), Piratininga (162), Itacoatiara (90), Santa Rosa (74), Jardim Icaraí (52), Camboinhas (45) e Itaipu (38).
A maior parte dos lançamentos foi destinada aos segmentos médio e alto padrão, responsáveis por 1.606 unidades, enquanto o segmento econômico somou 1.374 imóveis.
Em 2026, entre janeiro e maio, o município já contabiliza oito novos empreendimentos, com 881 unidades lançadas. Até o período analisado, 367 imóveis haviam sido vendidos, o equivalente a 42% da oferta.
Na avaliação de Moreira, a tendência é que esse cenário permaneça ao longo dos próximos meses.
“A expectativa é de sustentação dos preços de venda em 2026. Um dos principais motivos é a escassez de novos terrenos em bairros tradicionais, como Icaraí e Jardim Icaraí, o que limita a oferta de novos empreendimentos e mantém os valores elevados”, afirma.
No mercado de locação, ele acredita que a pressão sobre os preços também deve continuar.
“A oferta de imóveis para aluguel continua restrita em relação à demanda. Por isso, os valores devem permanecer nos patamares atuais, com tendência de leve aumento ao longo do restante do ano.”
Para o CEO da Self Spin, Niterói vive um momento de consolidação no setor imobiliário.
“Em 2026, o mercado imobiliário colhe os frutos de uma cidade que soube combinar atratividade urbana, qualidade de vida e um planejamento de lançamentos capaz de atender desde quem busca o primeiro imóvel até investidores e compradores de alto padrão. A tendência é de consolidação desse ciclo virtuoso”, conclui.