Vinte anos depois do primeiro duelo em uma Copa do Mundo, Brasil e Japão voltam a medir forças nesta segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos. O confronto, válido pelos 16 avos de final do Mundial de 2026, marca o reencontro de duas seleções que seguiram caminhos distintos desde a última vez que se enfrentaram no torneio.
O único duelo entre brasileiros e japoneses em Copas aconteceu na fase de grupos da edição de 2006, disputada na Alemanha. Na ocasião, a Seleção Brasileira, já garantida nas oitavas de final, venceu por 4 a 1, de virada. Ronaldo marcou duas vezes, enquanto Juninho Pernambucano e Gilberto completaram o placar. O resultado decretou a eliminação do Japão e entrou para a história por colocar Ronaldo como o maior artilheiro brasileiro em Copas do Mundo naquele momento.
Virada brasileira e noite histórica de Ronaldo
Na partida de 2006, o técnico Carlos Alberto Parreira promoveu cinco mudanças na equipe titular. Cicinho, Gilberto, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano e Robinho começaram jogando, deixando o time mais veloz e ofensivo.
O Brasil dominou as ações desde o início e criou diversas oportunidades, mas parou nas boas defesas do goleiro Yoshikatsu Kawaguchi. Depois da pressão inicial, os japoneses aproveitaram uma falha defensiva para abrir o placar com Tamada, que recebeu livre nas costas da zaga e venceu o goleiro Dida.

Quando o intervalo se aproximava e a derrota parecia iminente, Ronaldo apareceu. Nos acréscimos do primeiro tempo, o atacante empatou de cabeça e alcançou uma marca histórica: chegou a 13 gols em Copas do Mundo, ultrapassando Pelé como maior artilheiro da Seleção Brasileira na competição.
Anos depois, o então técnico japonês, Zico, relembrou o lance em entrevista ao site oficial da Fifa.
“A principal memória que tenho é do gol que nós tomamos nos acréscimos. A gente estava ganhando de 1 a 0, e se vira ali para o segundo tempo assim a situação ia ser diferente. Na última bola, saiu o gol de cabeça do Ronaldo. Eu sacaneio ele, que ele diz que eu sou o ídolo dele, mas o único gol de cabeça dele foi contra mim.”
Na etapa final, o domínio brasileiro se transformou em goleada. Juninho Pernambucano acertou um chute de longa distância para virar o placar. Pouco depois, Gilberto ampliou após arrancada pela esquerda. Ronaldo ainda marcou mais uma vez, chegando ao 14º gol em Copas e igualando o alemão Gerd Müller como maior artilheiro da história dos Mundiais. Dias depois, nas oitavas de final contra Gana, o camisa 9 ultrapassaria o recorde ao balançar as redes novamente.
Japão chega mais forte para o reencontro
Duas décadas depois, o cenário é diferente. Se em 2006 o Japão ainda buscava espaço entre as principais seleções do mundo, hoje a equipe asiática é considerada uma adversária competitiva e capaz de enfrentar as grandes potências em igualdade de condições.
Desde aquela eliminação, os japoneses chegaram às oitavas de final em quatro edições da Copa do Mundo e ganharam destaque, principalmente no Mundial do Catar, em 2022, quando terminaram na liderança de um grupo que reunia Espanha e Alemanha, vencendo ambas as seleções.
Apesar da evolução japonesa, o retrospecto geral segue favorável ao Brasil. Em 14 confrontos entre as equipes, a Seleção Brasileira soma 11 vitórias. Nos seis encontros disputados desde a Copa de 2006, foram cinco triunfos brasileiros.
Agora, o novo capítulo dessa história será escrito em Houston, com uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo de 2026 em disputa.