O Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro deste ano a estratégia de vacinação contra o HPV voltada a adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a dose na idade recomendada. A iniciativa faz parte do programa de “resgate vacinal”, que busca ampliar a cobertura entre jovens que não foram imunizados no período ideal.
A medida ocorre após o governo avaliar que o número de vacinados ainda está abaixo da meta estimada para o público-alvo. Segundo dados divulgados pela pasta, mais de 600 mil adolescentes deveriam ser alcançados pela estratégia, mas pouco menos da metade recebeu a imunização até junho.
De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo da prorrogação é reforçar ações de busca ativa e ampliar o acesso à vacina em todo o país. A orientação é que estados e municípios intensifiquem campanhas, incluindo ações extramuros, como vacinação em escolas, universidades e outros espaços públicos.
O órgão também destaca a importância de parcerias com sociedades científicas, organizações da sociedade civil, instituições religiosas e veículos de comunicação para ampliar a divulgação sobre a segurança e a eficácia da vacina.
Até junho, 287.647 adolescentes entre 15 e 19 anos haviam sido vacinados contra o HPV, sendo 124.172 meninas e 163.502 meninos. Apesar do avanço, o Ministério da Saúde afirma que os números ainda não são suficientes para atingir o total esperado da estratégia.
A vacina contra o HPV faz parte do calendário nacional para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, com esquema de dose única desde 2024, o que facilitou a ampliação da cobertura.
Para pessoas imunocomprometidas, como pacientes com HIV/aids, transplantados e oncológicos, o esquema permanece com três doses. A mesma recomendação se aplica a usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) entre 15 e 45 anos e vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o HPV está associado a diversos tipos de câncer, incluindo colo do útero, ânus, boca, garganta, vulva e vagina.
Ele destaca que a vacinação antes da exposição ao vírus é a forma mais eficaz de prevenção. “É uma vacina extremamente segura e altamente eficaz”, afirmou o especialista, reforçando que países com alta cobertura vacinal já registram redução significativa de doenças relacionadas ao HPV.