O Sindicato dos Rodoviários decidiu manter o estado de greve da categoria após assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (23). Durante a reunião, os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelas empresas, que previa reajuste salarial de 5% e aumento de 6% no valor da cesta básica.
Apesar da insatisfação, a categoria optou por não iniciar uma nova greve geral. Em vez disso, os rodoviários decidiram negociar diretamente com cada empresa de ônibus, deixando de concentrar as tratativas com o sindicato patronal, o Rio Ônibus.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a pauta de reivindicações será encaminhada individualmente às empresas a partir da próxima segunda-feira (27).
“Agora vamos negociar com a direção de cada empresa. Estaremos mandando a pauta para cada uma delas a partir de segunda-feira. Acreditamos que possa ser mais fácil”, afirmou.
Caso não haja avanço nas negociações, o sindicato informou que poderá realizar paralisações pontuais em empresas específicas, impedindo a saída dos ônibus das garagens.
Negociações seguem na Justiça
Na quarta-feira (22), a quinta audiência de conciliação entre representantes dos rodoviários e das empresas de ônibus terminou novamente sem acordo no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), no Centro do Rio.
Com a rejeição da proposta apresentada pelo Rio Ônibus, as negociações diretas com o sindicato patronal foram encerradas. O TRT estabeleceu prazo de dez dias para que ambas as partes apresentem suas manifestações no processo. Após essa etapa, o dissídio coletivo será julgado pela Justiça do Trabalho.
O presidente do TRT da 1ª Região, desembargador Gustavo Tadeu Alckmin, explicou que o processo seguirá para análise do colegiado.
“Ambos irão apresentar suas defesas, o Ministério Público poderá se manifestar e será designado um desembargador relator para que o colegiado decida sobre a legalidade ou não da greve”, afirmou.
Reivindicações da categoria
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos rodoviários estão:
- reajuste salarial de 12%, dividido em duas parcelas;
- piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e de R$ 4 mil para os demais motoristas;
- vale-alimentação de R$ 1 mil;
- implantação de plano de saúde;
- mudanças na escala de trabalho e adoção de jornada de sete horas e meia.
Um dos principais impasses nas negociações é justamente a jornada de trabalho. De acordo com o sindicato, a última meia hora da carga horária é descontada do salário dos trabalhadores, embora, segundo a entidade, esse período não seja suficiente para descanso ou alimentação adequada.
Durante a audiência, a representante do Ministério Público do Trabalho também defendeu que as empresas busquem uma solução para essa questão.
Atualmente, o sistema municipal de transporte coletivo do Rio de Janeiro conta com cerca de 3.600 ônibus em circulação.