Especial Eleições 2026
Não basta ter hospitais espalhados pelo mapa. Para quem espera por uma cirurgia, um exame ou tratamento especializado, o problema pode estar justamente no caminho até conseguir atendimento. É esse o desafio que o próximo governador do Rio terá pela frente na saúde: melhorar a assistência e integrar a rede no Leste Fluminense, região onde Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí somam cerca de 1,8 milhão de habitantes, segundo o Censo 2022.
Entre os principais problemas apontados por pacientes ouvidos pelo ENFOCO em portas de hospitais está a demora nas filas de exames e cirurgias, um histórico que atravessa diferentes administrações estaduais.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) afirma que o tempo de espera varia conforme a especialidade, o procedimento e a oferta de vagas.
‘A regulação estadual disponibiliza a alternativa assistencial mais adequada às necessidades do cidadão, de forma equânime, ordenada, oportuna e qualificada, e gerencia vagas disponibilizadas por unidades das redes estadual e federal para consultas pré-cirúrgicas de média e alta complexidades’, frisa a pasta em nota.
A reportagem solicitou os cinco procedimentos ou especialidades com maior número de pacientes na fila, mas a atual gestão da Saúde revelou apenas dois, ainda assim, apenas aqueles que apontaram redução.
Espera em números
A administração atual da SES-RJ apontou redução no tempo de espera em diferentes áreas da assistência. O cateterismo cardíaco ambulatorial, por exemplo, tinha espera média de 79 dias em junho de 2023. Em 2025, o prazo passou para entre 10 e 20 dias.
Nas cirurgias bariátricas, foram realizados 723 procedimentos em 2022 e 2.754 em 2025. O tempo médio de espera caiu de 1.300 dias, em fevereiro de 2023, para 476 dias atualmente. A redução representa avanço, mas o número ainda mostra o tamanho do desafio para quem precisa do procedimento.
‘Achei negligente terem me mandado para casa‘

O produtor de eventos Pablo Vieira, de 21 anos, relata ter enfrentado dificuldades em uma unidade de saúde estadual após sofrer um acidente recentemente. Segundo ele, na primeira ida ao hospital, foi liberado mesmo sentindo fortes dores. Ao retornar de madrugada, passou por uma nova avaliação, quando foi constatada a fratura no braço e indicada a internação para cirurgia.
“Um novo ortopedista me examinou, viu que eu havia fraturado e me internou, pedindo para que eu fosse operado. No momento da cirurgia, ele pediu para que não me operassem, mas achei negligente da parte do ortopedista ter me mandado embora. [No SUS, em geral] a gente vê pessoas morrendo na fila de espera, pessoas sendo enviadas para casa com diversas coisas a se fazer. Acho que deveria melhorar a atenção com as pessoas que vêm procurar atendimento. Se a pessoa está reclamando de dor, é preciso, de fato, olhar, examinar e não apenas olhar para o paciente de qualquer jeito”, afirma.
Pablo foi abordado pela equipe de reportagem após um atendimento no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, em Niterói.
‘Filas dinâmicas’, aponta Estado

As filas do Sistema Estadual de Regulação (SER) são dinâmicas e mudam conforme a especialidade, o procedimento solicitado e a quantidade de vagas disponíveis, conforme aponta a Secretaria de Estado de Saúde. Em 2025, o Complexo Estadual de Regulação realizou mais de 600 mil agendamentos e 136 mil transferências de pacientes.
Foram 504.642 agendamentos ambulatoriais e 138.554 transferências em 2024. Em 2023, foram 340.159 agendamentos ambulatoriais e 144.353 transferências. Já em 2022, foram 235.796 agendamentos e 135.607 transferências.
Para reduzir faltas e agilizar o atendimento, a SES-RJ diz que utiliza a assistente virtual Serena. A ferramenta envia avisos por WhatsApp, auxilia na organização dos agendamentos, resume pedidos no sistema e orienta os pacientes sobre o painel público do SER.
Segundo o governo, a ferramenta encaminha, em média, 3 mil pacientes por dia para unidades de todo o estado. Desde a implantação, cerca de dois milhões de mensagens já foram enviadas.
Enquanto passava na calçada da UPA 24 horas do bairro Fonseca, em Niterói, a dona de casa Patrícia Tavares, de 45 anos, reclamou do tempo de espera para conseguir atendimento e realizar exames. Ela afirma que a superlotação dos hospitais tem dificultado o acesso aos serviços de saúde.
“A espera é muito grande, os hospitais estão muito lotados. Queremos fazer exames e não tem. Ficamos aqui cinco horas esperando. É muito difícil ficar horas esperando para ser atendido e, no fim, tomar apenas uma dipirona”, lamenta.
Saúde em desordem

Para a especialista em Saúde Pública Lígia Bahia, o caminho vitorioso passa por municípios com redes próprias capazes de atender boa parte da população e por um Governo do Estado mais presente nos serviços de alta complexidade.
São 4 municípios populosos e apesar de conurbados singulares. Portanto o ideal seria que cada qual tivesse uma rede de serviços de saúde quase completa. Ou seja: com atenção básica e média complexidade incluindo internações em maternidades e hospitais gerais com emergência. Atualmente a região tem graves problemas em relação a oferta de ações e cuidados à saúde”, afirma.
A divisão de responsabilidades entre municípios, Estado e União também é apontada como fundamental pelo professor titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF), Túlio Franco.
“Temos que nos pautar, inicialmente, pela legislação. Há uma divisão entre eles sobre essa responsabilidade”, sintetiza.
Para o professor, o Estado deve assumir principalmente a organização dos serviços de maior complexidade.
“O Estado deve organizar o serviço em uma região de saúde, onde é possível fazer a pactuação do uso dos diversos equipamentos pelos diversos serviços, onde há definição de programação entre eles, tanto do uso e consumo de procedimentos assistenciais de saúde quanto do pagamento e da remuneração desses serviços. Um bom acordo na região facilita muito o acesso da população”, afirma.
Entre os serviços que precisam de maior investimento, Lígia cita:
“Transplante, cirurgias cardíacas, neurocirurgias, cirurgias oncológicas, quimioterapia e radioterapia e doenças raras”, exemplifica a médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutora em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Leitos: quantidade não conta toda a história

O debate sobre a saúde também passa pelos leitos hospitalares. Entre as capitais do Sudeste, o Rio de Janeiro desponta com a menor oferta por habitante e também com a menor proporção de leitos destinados ao SUS, segundo dados de 2023 reunidos pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).
Naquela época, a capital fluminense registrava 26,5 leitos por 10 mil habitantes, mesmo índice de São Paulo. Belo Horizonte tinha 38,6, enquanto Vitória liderava, com 56,9 leitos por 10 mil habitantes.
Na proporção de leitos SUS, Vitória também ocupava a primeira posição, com 64,6%, seguida por Belo Horizonte (57,8%), São Paulo (50,9%) e Rio de Janeiro (50,5%). Na comparação com Vitória, a oferta de leitos por habitante no Rio era menos da metade.
Os números, porém, não devem ser interpretados isoladamente como medida da qualidade ou da capacidade de atendimento. A própria análise do IEPS ressalta que a razão de leitos por habitante não captura toda a complexidade da oferta de serviços, especialmente porque as capitais concentram unidades de referência e recebem pacientes de outros municípios e regiões.
Para Túlio Franco, no Leste Fluminense, além da quantidade de leitos, é preciso organizar quem atende quem. O estudioso frisou que é preciso lembrar a existência da Portaria MS nº 1.101/2002 do Ministério da Saúde que estabelece o parâmetro de 2,5 a 3 leitos hospitalares para cada mil habitantes.
“Em geral, a região está neste limite. A questao importante para o leito funcionar é que é necessário haver uma pactuação entre os municípios, para que cidades pequenas possam fazer atendimentos à sua população; e internações com problemas de maior gravidade e complexidade nos municípios maiores, por que os leitos de maior complexidade estão nos grandes municípios como Niterói, por exemplo”, argumenta.

Quantos leitos existem no Leste Fluminense?
Segundo o Ministério da Saúde não existe um número fixo de leitos considerado ideal para uma região como o Leste Fluminense. O planejamento leva em conta população, taxas de internação, tempo de permanência e a estrutura regional.
Os dados dos quatro municípios, sendo eles, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, disponibilizados pelo Ministério da Saúde ao ENFOCO, consideram os registros mais recentes disponíveis.
- Vale esclarecer: leitos totais incluem unidades públicas e privadas. Já os leitos SUS são aqueles disponíveis para atendimento pelo Sistema Único de Saúde.
Leitos totais e SUS
- Niterói: 2.865, sendo 1.104 SUS;
- São Gonçalo: 965, sendo 699 SUS;
- Itaboraí: 364, sendo 308 SUS;
- Maricá: 270, sendo 251 SUS.
UTI e cuidados intermediários
(adulto, pediátrico e neonatal)
- Niterói: 461;
- São Gonçalo: 213;
- Itaboraí: 62;
- Maricá: 30.
Leitos obstétricos
- Niterói: 78;
- São Gonçalo: 67;
- Itaboraí: 28;
- Maricá: 14.
Em Niterói, há ainda oito leitos de UTI Neonatal, oito de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional e quatro de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru.
O Ministério da Saúde afirma que também apoia estratégias como a Rede Alyne e o Programa Melhor em Casa.
Não basta ter leito
A proposta não é que o próximo governador crie quatro sistemas iguais. Para a especialista em Saúde Pública Lígia Bahia, cada cidade deve ter uma estrutura compatível com sua população e território, combinada ao apoio estadual.
“Depende do tamanho (território e população), considerando os quatro municípios e suas características singulares é recomendável combinar rede própria com apoio estadual para alta complexidade em algumas especialidades”, explica.
Já Túlio defende que a Atenção Básica seja fortalecida justamente onde as pessoas vivem.
“As medidas prioritárias para melhorar a saúde e o atendimento à população no Leste Fluminense, eu acredito que a primeira é fundamental: dar prioridade total a serviços que são organizados no território, lugar onde as pessoas vivem, onde devem ter serviços robustos, altamente resolutivos, organizados para atender essa população. Um serviço de rede básica no território, bem organizado, vai evitar encaminhamentos para especialistas e internação hospitalar”, avalia.
Entre as prioridades, o estudioso destaca o tratamento contra o câncer:
Eu daria prioridade para o atendimento ao câncer. Temos pouquíssima cobertura de radioterapia na região, um recurso absolutamente necessário para o cuidado ao câncer e que está concentrado em Niterói, com todas as dificuldades de acesso”, pontua.
Outra aposta é ampliar os cuidados intermediários.
“Como fazer isso? Investindo em cuidados intermediários: cuidados paliativos, internação domiciliar, cuidados em casa com as crianças, mulheres e doentes crônicos. Isso aí é um investimento altamente resolutivo, de alto impacto e baixo custo. É por aí que temos que organizar o serviço”, afirma Túlio Franco.
O que o próximo governador deveria fazer?
Para Lígia Bahia, é preciso enfrentar as filas de exames e cirurgias, ‘incluindo vagas no setor privado’. Ela também defende concursos públicos com remuneração adequada, investimentos em hospitais universitários e a ampliação e modernização da rede de saúde mental.
Na área racial, ela propõe ao próximo governador ‘apresentar como meta e cumprir o pareamento da expectativa de vida entre negros e brancos’.
São Gonçalo cobra participação do Estado

Entre as prefeituras do Leste Fluminense procuradas, apenas São Gonçalo e Itaboraí responderam e defenderam maior participação estadual. Niterói e Maricá não se posicionaram.
São Gonçalo afirma que o fortalecimento da rede estadual beneficia toda a Metropolitana II e cita estruturas como o Hospital do Câncer e do Coração (HCCOR), o Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT) e o Centro de Imagens e Especialidades de São Gonçalo (Ciesg).
O município também cobra a conclusão da Maternidade de São Gonçalo e Clínica da Mãe, inicialmente chamada de Hospital da Mulher, no bairro Colubandê.
‘A Prefeitura de São Gonçalo está à disposição para construir, com o Governo do Estado, uma agenda permanente de investimentos e ampliação da assistência para a redução das filas, a ampliação do acesso e a garantia de atendimento de qualidade e mais humanizado à população’, finaliza o município, por meio de nota.
Itaboraí quer mais leitos e integração
Itaboraí defende a ampliação de consultas, exames, cirurgias e serviços de média e alta complexidade, além do fortalecimento da regulação, do abastecimento de insumos e dos repasses financeiros.
A prefeitura aponta insuficiência de leitos de retaguarda clínica e defende investimentos nos hospitais municipais Desembargador Leal Júnior e São Judas Tadeu, além da ampliação do perfil assistencial do Hospital Estadual Tavares de Macedo e integração com o Hospital Estadual João Batista Cáffaro.
‘Existe uma insuficiência regional de leitos de retaguarda clínica. Embora o Hospital Estadual João Batista Cáffaro desempenhe essa importante função, sua capacidade ainda não é suficiente para atender plenamente às necessidades de Itaboraí e dos demais municípios da região. É importante considerar que, embora localizado em Itaboraí, o hospital possui uma função que ultrapassa os limites municipais e deve ser analisado dentro da organização da rede estadual e regional. Também existe potencial para ampliar o papel do Hospital Estadual Tavares de Macedo, fortalecendo sua oferta de consultas especializadas, exames e procedimentos de média complexidade’, pontuou a administração do município, em nota.
O que os candidatos prometem

Com a saúde entre os principais temas das eleições para o Governo do Estado, os candidatos apresentam diferentes caminhos para enfrentar filas, ampliar hospitais, reorganizar a rede e aumentar a participação estadual.
Por ordem alfabética, confira abaixo um resumo das propostas de cada um dos nove candidatos, apresentadas nos planos de governo, e disponibilizadas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no portal de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais:
- André Marinho (NOVO): Tem como principal proposta zerar as maiores filas de exames e cirurgias eletivas do SUS estadual, com força-tarefa, metas e prazos por especialidade. O plano prevê mutirões usando a capacidade ociosa das redes pública, filantrópica e privada, expansão da alta e média complexidade no interior e na Baixada, painel público de filas, ampliação da oncologia e qualificação da urgência e emergência. Entre as metas estão zerar, no primeiro ano, as filas prioritárias de oftalmologia, cirurgia geral e ortopedia e reduzir o tempo médio do atendimento regulado para menos de 30 dias.
- Coronel Busnello (Missão): Propõe criar a Central de Vagas RJ, unificando a regulação de leitos e das filas ambulatoriais do SISREG e do SER. Também prevê prontuário eletrônico único, transparência nas filas, ampliação do cofinanciamento para 1.200 novas equipes de Saúde da Família, telemedicina para o interior, UTIs em regiões com maior déficit, expansão do SAMU e um programa de atenção materno-infantil. O plano ainda prevê uma fórmula técnica para definir os repasses estaduais aos municípios.
- Cyro Garcia (PSTU): Defende o fim da gestão da saúde por Organizações Sociais e de outras formas de privatização, além de investimentos acima do piso constitucional de 12%. Entre as propostas estão concursos públicos com plano de carreira, reabertura de vagas em clínicas da família, UPAs e hospitais, recuperação das redes federal e estadual e ampliação da vacinação. Também propõe integrar unidades de grandes grupos privados ao SUS por meio da taxação das fortunas do setor.
- Douglas Ruas (PL): Propõe uma reorganização da rede para reduzir filas e aproximar os serviços da população. Entre as medidas estão a criação de Centros Integrados de Atenção Médica e Exames, Hospitais de Alta Resolução e um mutirão permanente de cirurgias eletivas, inclusive com contratação da rede privada. O plano prevê ainda uma central estadual de regulação digital, fortalecimento dos hospitais regionais, expansão da oncologia no interior, transporte sanitário, atração de especialistas e políticas específicas para saúde da mulher e atendimento a pessoas com espectro autista.
- Eduardo Paes (PSD): Propõe recuperar hospitais e UPAs estaduais, contratar mais médicos e especialistas, reduzir filas, ampliar a distribuição de medicamentos e humanizar o atendimento. Também defende ampliar a rede nas regiões mais distantes da capital e garantir repasses aos municípios para fortalecer a atenção primária, independentemente de questões políticas, ideológicas ou partidárias.
- Garotinho (Republicanos): Enfrentando imbróglios na Justiça Eleitoral, o que pode impactar a candidatura, ele promete reorganizar a Saúde estadual e fazer uma auditoria nos primeiros 100 dias para atacar filas, contratos e falta de estrutura. Entre os destaques estão o fortalecimento de hospitais regionais, clínicas especializadas e atendimento ampliado à noite e nos fins de semana. O plano prevê ainda o SOS Odonto, Hospitais do Dente e novos serviços para autistas, idosos e pacientes de saúde mental. O candidato também quer revisar contratos com organizações sociais e retomar a gestão direta de unidades quando for considerado mais eficiente. A proposta inclui valorização dos profissionais, programas de reabilitação e um painel público para acompanhar filas, leitos, medicamentos e resultados.
- Juliete Pantoja (UP): Propõe retomar a administração direta da saúde pelo Estado, encerrar e auditar contratos com Organizações Sociais e realizar concursos públicos. Também defende a criação de estruturas públicas para pesquisa, produção de vacinas, medicamentos e remédios de baixo custo, além da valorização dos servidores. O plano inclui ampliação da saúde mental, universalização do saneamento básico, garantia de atenção primária e Saúde da Família em todas as cidades e abertura dos leitos da rede federal.
- Luan Monteiro (PCO): Defende mais recursos para a saúde pública, sem limite de gastos para salvar vidas, além de um plano emergencial para construir hospitais e postos de saúde. Propõe a volta do Mais Médicos e a validação imediata de diplomas de médicos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Também prevê a abertura de cursos de medicina e enfermagem com livre acesso nas universidades públicas e piso salarial de R$ 8 mil para profissionais da saúde.
- Willian Siri (PSOL): Propõe fortalecer a gestão pública e regionalizada do SUS, com aplicação de pelo menos 12% das verbas estaduais na saúde, conselhos gestores paritários e maior participação de trabalhadores e usuários. Defende novos hospitais regionais no Noroeste e na Baixada, concursos públicos, redução progressiva das terceirizações e auditoria de contratos. O plano também prevê uma Central Única de Regulação, ampliação da atenção básica, reorganização da urgência e emergência, fortalecimento da saúde mental, criação de laboratórios públicos e políticas específicas para saúde da mulher, população negra, LGBT, trabalhadores, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Estado precisa recuperar protagonismo

Para Lígia Bahia, o Governo do Estado precisa voltar a exercer um papel de liderança na organização do SUS.
O estado do Rio de Janeiro se caracteriza por possuir uma Secretaria Estadual de Saúde frágil que foi historicamente alvo de denuncias de fraudes e corrupção”, — Lígia Bahia, médica pela UFRJ, doutora em Saúde Pública pela Fiocruz.
Ela defende que o Estado reassuma responsabilidades e reorganize sua atuação:
“O estado deveria assumir responsabilidades em relação a população, deveria exigir o cumprimento das atribuições dos municípios, redefinir suas atribuições em relação a especialidades, tal como já ocorre com o Instituto do Cérebro e avançar iniciativas para devolver o papel de liderança na saúde que já foi do Rio de Janeiro”, finaliza.
Para Túlio Franco, a prioridade é integrar a rede e fortalecer os serviços próximos da população.
“É necessário pensar esse conjunto e, sobretudo, investir na atenção básica e nos serviços territoriais, porque isso pode ser muito resolutivo, evitando, assim, encaminhamentos para especialidades e internação hospitalar. Serviços no território são prioridade absoluta”, conclui.