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Crise: Dino manda Andrei Rodrigues voltar ao comando da PF

Redação | Publicado em: - Atualizado 2 meses atrás

Flávio Dino determina que Andrei Rodrigues volte ao comando da PF
Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: STF / Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, na manhã desta quarta-feira (9), o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF). A decisão deve agravar ainda mais a crise na corte, que se se agravou na última semana após André Mendonça quebrar o sigilo de conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes.

Na corte, Dino afirmou que o afastamento de Andrei Rodrigues parte de um interesse político do partido Novo e que a sigla não possui legitimidade para solicitar afastamento de figuras que integram as instituições que cumprem investigações criminais e procesos penais.

Além do partido, ele declarou que André Mendonça não possui competência judiciária para decidir tal afastamento, uma vez que o próprio presidente da corte, o ministro Edson Fachin, já teria determinado uma apuração para os citados nas conversas entre Vorcaro e Moraes.

Flávio Dino também determinou a reintegração de Leandro Almada à PF, e colocou o afastamento do diretor de Inteligência como ‘atraso’ para o avanço de investigações.

‘Em área de tamanha sensibilidade institucional, a abrupta substituição da direção possui aptidão para comprometer a continuidade dos trabalhos, os fluxos de informação e o tempestivo cumprimento de determinações judiciais, de modo que, seja pelas ilegalidades já assinaladas, seja pela necessidade de preservar a regular atuação da Polícia Federal, impõe-se, neste juízo sumário, o restabelecimento de sua situação funcional’, disse o ministro.

Afastamento do diretor-geral

Andrei foi afastado do comando da PF na terça-feira (8), por determinação de Mendonça. Na decisão, ele afirmou que Andrei deveria ser questionado por permitir a divulgação de um relatório da instituição feita por Moraes.

Em votação, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão do ministro, através dos ministros Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, que anteciparam os votos. O julgamento não foi concluído em respeito ao pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Crise na corte

Em pleno cotidiano de tensão, a crise no Supremo se agravou de vez quando Mendonça decidiu tornar público o conteúdo das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo a PF, apenas as mensagens enviadas por Vorcaro puderam ser recuperadas, visto que os agentes tiveram acesso ao celular do empresário. Já as mensagens enviadas por Moraes não puderam ser identificadas, até o momento, pois ambos se comunicavam através de mensagens de visualização única.

Nas mensagens trocadas entre eles, Vorcaro aparece como um suposto ‘cumpridor de favores’, tornando possível, inclusive, que o ministro fizesse a análise final do contrato sobre o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci, que recebeu dinheiro do Banco Master.

Além disso, o banqueiro também autorizou limites milionários (R$300 mil) para os filhos do ministro em cartões de crédito ligados ao banco.

Em meio à suposta intimidade entre o magistrado e o banqueiro, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria, ou não, deixar o país apenas dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal.

Crise no Supremo resultou no afastamento de Andrei Rodrigues da PF.
Mensagens de Vorcaro enviadas a Moraes. Foto: TV Globo / Reprodução

Bate-boca entre ministros

O conteúdo veio a público no mesmo dia em que um desentendimento entre Moraes e André Mendonça marcou os bastidores do Supremo. De acordo com testemunhas, os dois ministros discutiram antes do início da sessão do dia, em um episódio que exigiu a intervenção da equipe de segurança do STF.

Relatos apontam que Moraes se aproximou de Mendonça para uma conversa rápida e, em pouco tempo, o diálogo evoluiu para um bate-boca, com os dois ministros elevando o tom de voz e demonstrando exaltação. Diante da tensão, seguranças intervieram para separar os magistrados.

Informações apoiadas à EBC

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