Foi com dor e sentimento de injustiça que Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, foi velado na Capela Nova São Gonçalo, no início da tarde desta sexta-feira (18). O jovem, que trabalhava como pizzaiolo e ajudante de cozinha em um restaurante no bairro de Icaraí, em Niterói, morreu após ser baleado na cabeça durante uma abordagem policial.
O velório teve início às 9h, na capela Sublime Memória, localizada em frente ao Cemitério Municipal de São Gonçalo, onde o corpo do jovem foi sepultado. Em frente à capela, familiares e conhecidos trocaram abraços e sentimentos, enquanto aguardavam a motociata de homenagem a Danilo, iniciada no bairro de Neves, chegar em frente ao cemitério.
À reportagem, o tio de Danilo Jander expressou o sentimento de descontentamento com o desenrolar do caso. Segundo o familiar, o militar responsável pelo disparo tem que ‘ser preso em Bangu’.
‘Danilo era um garoto tranquilo, jovem, sonhador, alegre, família. A gente tá lidando com essa insegurança que assola nosso estado do Rio de Janeiro e agora ela veio de um militar que era para prover a nossa segurança. Por isso eu peço ao comandante geral da Polícia Militar que exonere, que exclua esse militar. Ele precisa ir para Bangu, para Júri Popular. Coronel Sílvio Guerra, a sociedade te faz esse apelo, publique no boletim a exclusão desse militar‘, disse o tio.
Quando questionado se alguma autoridade de segurança pública prestou sentimentos à família, o familiar respondeu:
‘A corporação em nenhum momento conversou com alguém da família. O único apoio que recebemos do Estado foi do Hospital Azevedo Lima, onde ele (Danilo) foi muito bem cuidado. Agora, por parte da segurança, governador, comandante do 12° Batalhão, chefe da Segurança Presente, ninguém veio falar com alguém da família sobre o caso.‘

A tia de Danilo, que viralizou nas redes sociais após a internação do sobrinho, também expressou um sentimento de angústia pela morte do rapaz. À reportagem, ela declarou que acredita que o caso envolvendo Danilo serviu de ‘exemplo’ para a sociedade.
‘Os policiais não estão aí para isso, estão para fazer a ordem, não a desordem. Eles estão confundindo os mototáxis e entregadores como baderneiros. Pelo contrário, quem leva o alimento para a casa de vocês são eles. Esse extrapolou o limite matando meu sobrinho covardemente. Acredito que ele não tem mãe, não tenha família, não tenha ninguém, porque o cara que sai na rua com o intuito de matar, acho que essa pessoa não tem ninguém por ele‘, disse.

A presença da PM também foi notada no local. No entorno da capela, na Rua Doutor Francisco Portela, os militares encostaram viaturas para observar a movimentação dos familiares.
Motociata para Danilo Jander
Além da dor, o velório foi marcado de muita homenagem, quando motociclistas próximos de Danilo Jander fizeram uma motociata, por volta das 13h20, em frente à Capela Nova São Gonçalo. De joelhos à multidão, os tios e demais familiares do jovem se uniram ao buzinaço em gritos por justiça.
Emocionado, o tio do rapaz leu uma carta branca à Polícia Militar, onde pediu por a exoneração e prisão dos agentes envolvidos na abordagem que resultou na morte de Danilo.
Relembre o caso
O caso ocorreu na noite do último sábado (12), na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, bairro onde o jovem trabalhava em um restaurante, quando Danilo foi vítima de um disparo na cabeça feito por um PM do programa Segurança Presente.
A versão da PM afirma que o rapaz não teria colaborado com uma abordagem, necessitando do uso de spray de pimenta e ameaça por meio de arma de fogo. O agente responsável pelo ferimento afirma que o disparo foi acidental.
O jovem foi socorrido no local e conduzido ao Hospital Azevedo Lima, onde foi internado em estado grave. O PM que realizou a abordagem foi preso no sistema prisional da corporação, enquanto a arma utilizada foi apreendida.
Após cerca de três dias internado na unidade de saúde, Danilo Jander teve morte encefálica corfirmada pela direção do hospital.
Nada de ilícito foi encontrado
Ainda de acordo com o depoimentos dos agentes envolvidos na abordagem, após o disparo, a mochila de Danilo foi revistada e nenhum material ilícito foi encontrado, reforçando a versão dos familiares, que dizem que o rapaz estava próximo do local onde trabalhava.
No local, uma câmera de segurança flagrou o momento em que a suposta abordagem policial e o disparo ocorreram.
A investigação segue em curso na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG).