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Alexandre Pires é alvo de operação da Polícia Federal

Redação | Publicado em: - Atualizado 4 semanas atrás

Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 determinações para bloqueio e sequestro de bens e valores/ Foto: Instagram

O cantor Alexandre Pires e dois empresários foram alvos de uma operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (23). A ação investiga um grupo suspeito de atuar na extração e comercialização ilegal de cassiterita, além de utilizar mecanismos para lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.

De acordo com as investigações, o minério seria retirado ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e posteriormente inserido no mercado por meio de documentos e licenças que indicariam uma origem regular.

A cassiterita é uma das principais fontes utilizadas para a produção de estanho, metal empregado em setores como a indústria de alimentos, automóveis, construção de vidros e fabricação de equipamentos eletrônicos. O elevado valor comercial do minério contribui para a ocorrência de atividades de extração clandestina.

Mandados

A ação, denominada Operação Disco de Ouro II, foi autorizada pela Justiça Federal. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 determinações para bloqueio e sequestro de bens e valores. Nesta etapa, não foram expedidas ordens de prisão.

Em Uberlândia, Minas Gerais, agentes da Polícia Federal cumprem medidas em um imóvel ligado a Alexandre Pires e também na produtora musical do cantor. A operação busca documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.

Segundo os investigadores, um empresário era responsável pelo gerenciamento da carreira empresarial de Alexandre Pires. Já o outro empresário é apontado como uma das principais figuras da organização investigada.

A apuração colocou o cantor e uma empresa ligada a ele no chamado núcleo financeiro do grupo. A suspeita é de que estruturas empresariais e contas tenham sido utilizadas para dividir, esconder ou dificultar o rastreamento de recursos relacionados ao comércio irregular de minério.

Os investigadores identificaram transferências de aproximadamente R$ 4,43 milhões de contas associadas ao esquema para uma empresa de Alexandre Pires. O levantamento financeiro realizado durante a investigação aponta movimentações que, somadas, chegam a cerca de R$ 31 milhões.

Como funcionaria a fraude

A investigação indica que o grupo obtinha cassiterita proveniente de garimpos ilegais na região da Terra Indígena Yanomami. Para dar aparência de legalidade ao material, seriam utilizadas licenças de lavra garimpeira vinculadas a áreas de Itaituba, no Pará.

Durante ações realizadas em Roraima, a Polícia Federal apreendeu mais de 100 toneladas de cassiterita que, segundo os investigadores, tinham origem ilegal. Também foram encontrados aproximadamente 1 quilo de ouro na sede de uma empresa fornecedora.

A apreensão teria comprometido o fornecimento de minério previsto em um contrato internacional firmado com uma empresa da Suíça. Conforme a investigação, para manter o recebimento de valores antecipados, os integrantes do grupo teriam criado uma operação fictícia em armazéns localizados em Manaus.

Nesse processo, areia e pó de brita teriam sido apresentados como minério, acompanhados de laudos químicos considerados fraudulentos pelos investigadores. A fraude relacionada ao contrato internacional é estimada em US$ 48 milhões.

Ainda de acordo com a apuração, parte dos recursos era enviada para fora do país e posteriormente retornava ou era redistribuída no Brasil por meio de mecanismos conhecidos como dólar-cabo e de contratos considerados fictícios.

O dinheiro, segundo os investigadores, circulava por contas de familiares, empresas apontadas como de fachada, conhecidos e intermediários que não possuíam atuação conhecida no setor de mineração.

Segunda fase da investigação

A Operação Disco de Ouro II é uma continuação das investigações iniciadas na primeira fase da Operação Disco de Ouro. O trabalho da Polícia Federal busca esclarecer a comercialização e a exportação irregular de minérios, além do possível uso de documentação falsa para conferir aparência legal às operações.

As pessoas e empresas investigadas poderão responder, conforme o grau de envolvimento de cada uma, por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira. Outros delitos também poderão ser incluídos caso sejam identificados durante o andamento das apurações.

O que diz a defesa

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso afirmou que Alexandre Pires foi surpreendido pela operação e negou qualquer envolvimento do cantor com garimpo ou extração de minério.

“Na qualidade de advogado do cantor e compositor Alexandre Pires, vimos a público, diante das notícias veiculadas pela mídia em geral, esclarecer que o cantor Alexandre Pires não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena”, informou Luiz.

A defesa também esclareceu que a relação profissional mantida entre Alexandre Pires e o empresário Matheus Possebon se restringia à intermediação da venda de shows do artista à época. Segundo o comunicado, não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre os dois além daquela ligada à atividade artística do cantor.

Ainda conforme a nota, eventuais fatos investigados pela Polícia Federal que estejam fora desse contexto dizem respeito exclusivamente a atos atribuídos a Possebon, praticados fora de sua atuação como intermediador na venda de apresentações de Alexandre Pires.

A defesa afirmou que o cantor segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e na demonstração da verdade ao longo das investigações.

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