Desde a chegada da primavera, a impressão de quem vive na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é que nunca mais parou de chover. Apenas em setembro, dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) revelaram que quase 70% do mês foi de chuva na cidade de Niterói. Na cidade maravilhosa, a capital fluminense, a estimativa sobe mais, onde cerca de 80% de setembro foi de chuva.
O relatório do instituto é surpreendente. Em Niterói, são 16 dias registrados com precipitação e volume de chuva no município, desde o dia 1° de setembro até esta quarta-feira, dia 23. Os dados, coletados a partir da estação automática do Inmet na cidade, também revelam que a média de temperatura ao longo do mês ficou entre 20°C e 24°C, chegando a 30°C em pouquíssimas ocasiões.
Já na cidade do Rio, o número ilustra ainda mais o cotidiano que os cariocas têm vivido em meio à chuva e constantes alertas de mau tempo. É aproximadamente 80% do mês de setembro, que ainda está há 1 semana do fim, de chuva. Nos registros de acúmulo de água no município, apenas 4 dias do mês não apresentaram chuva.
Nova frente fria chega no Rio
Após um último fim de semana sem chuva, e uma segunda-feira (21) que atingiu os 35°C, os niteroienses e cariocas voltaram a receber uma nova frente fria, que mostrou os primeiros indicíos na noite de terça-feira (22). Na chegada da madrugada desta quarta-feira (23), o tempo virou completamente nas duas cidades, com pancadas fortes de chuva e rajadas intensas de vento.
Ao longo dos últimos dois dias, o mau tempo foi suficiente para derrubar árvores e criar bolsões de água que prejudicaram o trânsito e o cotidiano de quem mora nesses municípios.
Impacto do Super El Niño
Os recordes de acúmulo de água e dias de chuva em setembro não são por acaso. O Centro-Sul brasileiro vem sofrendo, mais que o habitual, com a virada de tempo nesta época do ano principalmente pela influência direta do El Niño, que já é descrito como Super El Niño por especialistas em meteorologia.
Por conta da precipitação do impacto do fenômeno, fatores atmosféricos como o excesso de chuva e rajadas de vento ficaram mais evidentes em agosto e, principalmente, em setembro, conforme explicado por especialistas.
Em Niterói, por exemplo, tamanha a preocupação com a chegada do Super El Niño fez com que a Defesa Civil Municipal, em conjunto com a prefeitura do município, criassem um plano para desenvolver um novo nível de alerta para possíveis ventanias durante o calor extremo.
Segundo a prefeitura municipal, o planejamento se encontra em fase final, onde estratégias e protocolos intregrados serão colocados em prática para situações de risco, inclusive caso rajadas fortes de vento (mais de 100km/h) atinjam a cidade.
