Os Hospitais Estaduais Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo, e Roberto Chabo (HERC), em Araruama, promoveram atividades em referência ao Setembro Verde, campanha que busca ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos. As duas unidades estão entre as que se destacam no Estado do Rio de Janeiro pela atuação na captação de órgãos para transplantes.
Em 2025, o HEAT realizou 89 captações destinadas a transplantes, incluindo seis corações, com apoio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). No HERC, foram registrados 61 casos de potenciais doadores notificados no mesmo período.
No Hospital Alberto Torres, a programação ocorreu nesta sexta-feira (25). A agenda contou com uma palestra conduzida por Sandro Montezzano, coordenador da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) da unidade.
Um dos momentos mais simbólicos foi o plantio de mudas de jasmim no chamado Jardim do Doador. A ação reuniu familiares que autorizaram a doação dos órgãos de parentes após a morte, além de profissionais do hospital. O espaço de convivência da unidade também recebeu uma exposição fotográfica dedicada ao Jardim do Doador.
Em Araruama, o Hospital Roberto Chabo realizou a programação na quinta-feira (24). Familiares que autorizaram a doação de órgãos de seus entes queridos participaram do plantio de mudas em um espaço criado há três anos para homenagear os doadores e representar a continuidade da vida. A programação também teve apresentação musical e recital de poemas.
Entre os participantes estava Giselle Coelho, que, no ano passado, junto com outros familiares, autorizou a doação de órgãos do sobrinho. O jovem teve morte encefálica confirmada após sofrer um acidente de motocicleta.
A programação também contou com o relato de Cilange Carvalho, que recebeu um rim em 2010. Ela destacou a importância da decisão tomada pela família de seu doador.
“Alguém disse sim e me salvou. Hoje, participo de eventos contando a minha história e pedindo às famílias que concordem com a doação”, relatou.
Segundo Michele Guedes, coordenadora da e-DOT do HERC, cada doador pode beneficiar até 30 pessoas. Ela explica que a atuação da equipe contribuiu para atender pacientes que aguardavam por um transplante na fila única do Sistema Nacional de Saúde.
“Somente nos últimos nove anos, conseguimos notificar cerca de 300 casos e realizar mais de 150 captações”, afirmou Michele.
Como funciona a captação de órgãos
A Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes é formada por profissionais de diferentes áreas da saúde. O grupo atua na identificação de possíveis doadores dentro das unidades hospitalares e é acionado quando há um paciente em processo de diagnóstico de morte encefálica.
Após a identificação do potencial doador, os profissionais orientam os familiares, esclarecem dúvidas e explicam todas as etapas relacionadas à doação.
Michele ressalta que a decisão pertence à família e que o processo deve ser conduzido com acolhimento e respeito.
“É um direito da família decidir pela doação ou não. Temos que esclarecer todas as dúvidas e enfatizar a importância da doação, sempre com empatia e respeito”, afirmou.
Jardim do Doador simboliza continuidade da vida


O Jardim do Doador foi criado como uma forma de homenagear famílias que autorizaram a doação de órgãos de seus entes queridos. O espaço representa solidariedade e esperança para pessoas que aguardam por um transplante como possibilidade de continuidade da vida.
O plantio das mudas de jasmim integra essa proposta simbólica. As plantas representam a renovação e o crescimento, reforçando a mensagem de que o gesto de doar pode gerar novas oportunidades e transformar a vida de outras pessoas.