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Incêndios no Amazonas: força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar suspeitos

Redação | Publicado em:

Ministério do Meio Ambiente investiga possível atuação organizada por trás dos focos de fogo. Operação já extinguiu 292 incêndios, mas oito permanecem ativos no estado.
Equipes federais e estaduais atuam no combate aos incêndios florestais no Amazonas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 292 incêndios já foram extintos desde o início da temporada, enquanto outros oito permanecem ativos. Foto: Divulgação

A força-tarefa que combate os incêndios florestais no Amazonas já abriu 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) para apurar possíveis condutas criminosas relacionadas aos focos de fogo no estado. O governo federal investiga a hipótese de atuação organizada por trás dos incêndios, enquanto equipes de segurança e brigadistas seguem mobilizados para conter as chamas e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14), durante entrevista coletiva em Manaus, pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Segundo ele, a investigação busca identificar os responsáveis pelos incêndios e verificar se existe uma organização envolvida nas ocorrências.

“Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso”, afirmou o ministro. Ele também declarou que os responsáveis identificados deverão ser punidos.

As investigações estão sob responsabilidade das polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas, com participação de outras forças de segurança. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também foi acionada para auxiliar na apuração da possível existência de uma ação coordenada.

Governo investiga possível ação organizada

Durante a coletiva, Capobianco relacionou a apuração atual a episódios anteriores de incêndios suspeitos de terem sido provocados intencionalmente. O ministro citou o chamado “Dia do Fogo”, mencionado no contexto de ocorrências registradas em 2024.

A participação da Abin busca verificar se há semelhanças entre os episódios anteriores e a situação enfrentada atualmente no Amazonas.

Até o momento, a hipótese de atuação organizada está sob investigação e não representa uma conclusão definitiva sobre a autoria dos incêndios.

De acordo com o ministro, a intenção é identificar tanto os responsáveis diretos quanto eventuais envolvidos em uma possível organização por trás das ocorrências.

Quais são as penalidades para quem provoca incêndios?

Pessoas responsáveis por provocar incêndios florestais podem sofrer sanções administrativas e responder criminalmente, conforme o enquadramento de cada caso.

Segundo as informações divulgadas pelo governo, as multas administrativas podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração. Também podem ser aplicadas medidas como embargo das áreas atingidas e apreensão de equipamentos.

A responsabilização criminal poderá resultar em prisão, de acordo com as circunstâncias e a legislação aplicável.

Fumaça afeta aulas e atividades em Manaus

Os incêndios têm provocado grandes nuvens de fumaça e prejudicado a qualidade do ar em diferentes cidades do Amazonas.

Em Manaus, a situação levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

Capobianco afirmou que a população da capital vem sofrendo os efeitos da fumaça e destacou a necessidade de responsabilizar os autores dos incêndios.

A expectativa do Ministério do Meio Ambiente é de melhora gradual na qualidade do ar nos próximos dias. O ministro, porém, ressaltou que essa evolução depende também das condições meteorológicas, especialmente da direção e da convergência dos ventos.

Segundo ele, os incêndios mais próximos de Manaus foram reduzidos, mas focos em áreas mais distantes continuam contribuindo para o transporte de fumaça até a capital.

Amazonas tem oito incêndios ativos, informa governo

Apesar da gravidade do cenário, o governo federal aponta uma redução nos registros de queimadas e incêndios. Durante a entrevista, Capobianco afirmou que os dados indicam uma diminuição de novos focos, embora ainda não seja possível considerar a situação controlada.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), 292 incêndios foram extintos no Amazonas desde o início da temporada. Outros oito permaneciam ativos no momento da divulgação dos dados.

A redução dos focos não significa, necessariamente, o fim dos impactos ambientais ou da fumaça. O governo mantém as operações de combate e monitoramento, especialmente nas áreas florestais de difícil acesso.

Operação conta com aeronaves e 330 brigadistas mobilizados

Para reforçar o combate ao fogo, o governo federal disponibilizou 11 aeronaves para as operações no estado. Seis delas são utilizadas diretamente no combate aos incêndios, com capacidade para realizar lançamentos rápidos de água.

A estrutura inclui ainda um avião KC-390, empregado no lançamento de grandes volumes de água, três helicópteros para transporte de brigadistas e equipamentos e lançamento de água, além de uma aeronave Caravan destinada ao apoio logístico.

Segundo o balanço apresentado, 290 brigadistas já atuavam em campo, enquanto outros 40 brigadistas federais estavam em deslocamento para reforçar as equipes. Com isso, o contingente informado chegaria a 330 profissionais mobilizados entre os que estavam em atividade e os que seguiam para a região.

No domingo (11), Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas do Amazonas e identificaram incêndios em regiões florestais de difícil acesso.

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