Aposentadoria de Robben mostra que você está ficando velho

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Multicampeão, Robben se aposentou após 21 anos de carreira. Foto: Redes Sociais

Chegou ao fim a carreira do consagrado atacante holandês Arjen Robben. Aos 37 anos, ele pendurou as chuteiras após jogar uma temporada pelo modesto Groningen, clube que o revelou para o futebol na longínqua temporada de 2000/01. O carequinha habilidoso, que eliminou o Brasil na Copa do Mundo de 2010, marcou toda uma geração do mundo da bola.

É… Você está ficando velho. Nós estamos. A geração dos anos 1990, da qual orgulhosamente faço parte, está vendo seus ídolos indo embora. Um por um, eles abandonam os gramados ao perceberem que o corpo já não responde mais da mesma forma. Processo natural, porém doloroso – para eles e, principalmente, para nós. O tempo está passando e nossas referências em campo vão virando apenas páginas na historia.

A paixão pelo futebol, para muitos, cresceu acompanhada do vício pelos videogames. Quem aqui não virou noites e noites jogando o tradicional Winning Eleven, escalando o Roberto Carlos no ataque e, poucos anos depois, se divertindo com o Bomba Patch? Eram amores intrínsecos – e que explicam o movimento das coisas, já que os games virtuais ajudaram e muito a popularizar o futebol internacional no Brasil.

Todos em preto e branco já pararam. Pesou aí, né? Foto: Reprodução/Redes Sociais

Atualmente vivemos uma entressafra perigosa, com jogadores não tão bons quanto antigamente. Ou será que nós nos tornamos mais exigentes? Lembro do meu avô suspirando ao falar de Garrincha, Pelé, Didi, Gerson e companhia – e, hoje, o entendo. Talvez por saudosismo, talvez por não querer aceitar que, hoje, o fuebol é muito mais físico e tático do que técnico. O espetáculo pirotécnico virou partida de xadrez.

Cada vez menos temos as referências de grandes esquadrões. “O Brasil de 70”, “o Ajax de 71”, “o Flamengo de 82”, “o Vasco de 98” ou até mesmo, por quê não, “o Bayern de 2013”, do Robben. Cada figura dessa que se aposenta, leva um pouco do nosso futebol. Aquele, pelo qual nos apaixonamos – e nos faz estar aqui até hoje. Mesmo que os “sobreviventes” Ribéry, Iniesta e Ibra não sejam mais os mesmos. São figuras da resistência de uma geração que brilhou e fez do futebol tudo o que ele é hoje.

Obrigado, Robben. E Raúl. E Cannavarro. E Zidane, Riquelme, Rivaldo, Eto’o, Kaká, Rooney, Seedorf, Pirlo…. Daria para me estender aqui até semana que vem. E, convenhamos, que bom que daria! Estarei aqui, pelo tempo que for, para reverenciar estes monstros – e, também, para torcer que as próximas gerações tenham pelo menos metade da capacidade deles. A esperança é a última que morre.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneios regionais.