Brasil consolida supremacia na América, mas patina em relação à Europa

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Brasil pode levar a Copa América novamente com muita facilidade. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Chegaremos, neste final de semana, aos capítulos finais de Copa América e Eurocopa. Esvaziado, sem público e com pouquíssimo prestígio, o nosso torneio do ‘lado de cá’ só serviu para uma coisa: analisar o desempenho das principais seleções do planeta, a pouco mais de um ano da Copa do Mundo, e estipular um parâmetro do que precisaremos para buscar o hexa no Catar.

Dentro de casa, nenhuma surpresa. A competição, independente de ter sido disputada em solo brasileiro, foi um passeio dos comandados de Tite. Sem forçar, em ritmo de treino e até testando variações em fases decisivas do mata-mata, o Brasil chegou à final com extrema facilidade – e só não sai campeão mais uma vez neste sábado (10) em caso de uma tarde inspiradíssima daquele ‘extraterrestre’ que veste a camisa da Argentina. Mas a missão de Messi é bastante difícil; nem Noé carregou tantos ‘animais’ na arca como ele faz na Albiceleste.

Muitos torcedores reclamaram de pragmatismo e falta de brilho. Até concordo. No entanto, precisamos lembrar que a incomparável Seleção de 82 não ganhou nada – enquanto a guerreira equipe de 94 trouxe a Taça do Mundo para nós. Não se trata de show, mas sim de regularidade. Infelizmente para muitos, o futebol deixou de ser um espetáculo para virar um jogo de xadrez. É necessário um equilíbrio forte entre tática, técnica e competitividade. A gestão de pessoas também conta. Dar um baile em campo é apenas consequência.

A má notícia, no entanto, é que ser soberano no futebol sul-americano é apenas obrigação. Passar por cima de Colômbias, Venezuelas, Perus, Uruguais, Equadores e afins não garante um bom desempenho na Copa do Mundo. É apenas o passo inicial. E, quando puxamos a régua vinda da Eurocopa, a situação começa a ficar difícil. Os velhos filmes, aqueles que empurramos para o fundo da gaveta, vêm à cabeça. A injustiça de 2006, o marasmo de 2010, a vergonha de 2014 e o duro golpe de 2018. Todos, juntos, acendem o alarme.

Acendem pois não acompanhamos a velocidade da evolução global do futebol. A diferença é cristalina – e até dura, com as duas competições passando simultaneamente. Assistir um jogo da Euro à tarde e depois um da Copa América à noite me deixou com impressão de prestigiar dois esportes diferentes. Ritmo, intensidade, aplicação, qualidade, conceito… tudo ainda é bem distante. E não falo só das principais equipes, como Itália, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha; digo também comparado às emergentes Dinamarca, República Tcheca, Bélgica, Suíça, entre outras.

O Brasil ainda patina, e muito, em relação à capacidade das seleções europeias. E temos uma incrível dificuldade de aceitar que isto seja uma verdade – o que, naturalmente, é o primeiro passo para qualquer retomada. Enquanto bradarmos por aí que somos “o país do futebol” e optarmos por ignorar que a bola está muito mais redonda do outro lado do oceano, ficaremos cada vez mais para trás. Já são praticamente 20 anos sem levantar o troféu mais importante do mundo. E acho difícil que o jejum se encerre em 2022.

Só o fato de a audiência da Eurocopa estar bastante superior à da Copa América, além da expectativa pela final do outro continente estar bem acima da curiosidade pelo que vai acontecer no Maracanã, já deixa uma enorme brecha para detectarmos um problema grave. Até porque a Seleção Brasileira, ao longo das últimas décadas, fez questão de se afastar de seu torcedor. Mas aí já é papo para outra coluna…

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneios regionais.