Casamento às cegas: casais de Niterói e SG têm festas canceladas

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Casamento
Noivos teriam sido avisados de cancelamentos das cerimônias faltando apenas 24 horas para a realização. Foto: Divulgação

O sonho do casamento se tornou pesadelo para noivos que programaram festas com uma empresa localizada em Niterói. Isso porque a empresa contratada alegou paralisação dos serviços devido à pandemia da Covid-19, além de dificuldades para honrar compromissos, já firmados previamente. Acontece que, segundo denúncias, pelo menos duas uniões estavam marcadas para acontecer no último dia 27 e foram canceladas no dia anterior. Os casais estimam prejuízo entre R$ 9 mil e R$ 40 mil.

Segundo Denio Silva, responsável pelo buffet contratado pela cerimonialista, os noivos receberam um documento em que a empresa decretou falência e não poderia honrar os compromissos.

O prestador do serviço explica ainda que conhecia a cerimonialista, há cerca de sete anos, e esta é a segunda vez em que ele também fica no prejuízo. Ainda segundo o profissional, mais de 14 pessoas, incluindo noivos e fornecedores, foram lesadas.

“Na primeira vez, foi durante a pandemia em que ela ficou em débito de R$ 12 mil comigo. Ela vendia o meu buffet no pacote que costumava fechar com os noivos, mas dessa vez eu não recebi nada e ainda estou no prejuízo. Quando soube dos cancelamentos de sábado (27) avisei aos casais, mas ela simplesmente sumiu”

Prejuízos

Casamento
Empresa atribui à crise financeira os cancelamentos. Foto: Divulgação

Outro caso aconteceu com a noiva Ingridi de Oliveira, de 32 anos, que estava com o casamento marcado para o próximo dia 10. Ela relata que ao saber dos recentes cancelamentos procurou a empresa, mas não recebeu nenhum retorno. A noiva afirma já ter pago cerca de R$ 9 mil pelo evento.

“Conheço ela há cinco anos, chegamos a criar uma amizade. Ela já realizou mais de seis casamentos por indicação minha. Nós criamos um vínculo e há três meses entrei em contato para realização do meu casamento. Fechamos cerimônia, decoração, buffet e open bar e agora ela sumiu, não deu nenhuma satisfação. Estamos muito decepcionados, trabalhamos muito para pagar, ninguém está nadando em dinheiro, agora vamos procurar um advogado e ver o que conseguimos fazer, mas acredito que seja um caso perdido”

Uma outra noiva, de 27 anos, que preferiu ter a identidade preservada, relata que após saber dos cancelamentos e não conseguir contato com a contratada registrou uma ocorrência na Delegacia do Alcântara (74ª DP), em São Gonçalo, no último dia 29.

“Meu casamento estava marcado para 21 de janeiro de 2022, quando eu soube que ela tinha deixado uma noiva na mão fiquei preocupada porque já pagamos praticamente tudo: R$ 37 mil, mais umas coisas que fechamos por fora. Isso tudo deu quase R$ 40 mil. Antes de contratar eu pesquisei sobre ela, sobre a empresa e vi que era uma pessoa conceituada, por isso até investimos. Agora, estamos desesperados!”

Na Delegacia do Mutuá (72ª DP) a cerimonialista foi alvo de mais uma denúncia na manhã desta terça-feira (7). Dessa vez por ter agendado dois eventos para o mesmo dia, horário e no mesmo espaço.

De acordo com o delegado da distrital, Allan Duarte, todas as partes serão ouvidas para melhor esclarecimento dos fatos e se for constatado golpe a cerimonialista poderá responder pelos crimes de apropriação indébita ou estelionato.

Ainda de acordo com o delegado, a pena depende do valor estimado dos prejuízos causados, os quais podem ser revertidos na Justiça.

Paradivino Eventos

A empresa Paradivino Eventos, citada pelos envolvidos tem localização em Niterói, mas o pelo CNPJ consta relacionada a São Gonçalo. Em seu perfil pelas redes sociais, a empresa e creditou à crise financeira a impossibilidade de fazer os eventos já marcados.

Segundo a Paradivino, em razão do cenário estabelecido nos últimos anos pela pandemia da Covid-19, instalou-se no mercado de festas e eventos efetivas contundentes limitações especialmente pela paralisação na realização de festas e eventos bem como pela alta dos preços praticados no mercado, após a gradativa retomada das atividades do mercado.

A Paradivino justifica que ‘os valores empenhados para a realização dos eventos contratados mostram-se defasados impossibilitando a realização sem que haja efetiva revisão dos valores pactuados’.

A nota é finalizada informando ser impossível a realização dos eventos da forma originalmente contratada ’em razão da suspensão do crédito da empresa junto aos fornecedores que subsidiam a realização dos eventos’.

Aos contratantes a empresa acrescenta que estará notificando caso a caso para o que consideram uma ‘melhor solução para resolução dos contratos firmados, seja através do pagamento necessário aos fornecedores, ou através da rescisão dos contratos e restituição dos valores eventualmente pagos a luz do que determina a lei n° 14.186 de 2021’.

Procurada para detalhes sobre o processo de devolução dos valores pagos, a empresa que 60% dos contratos já estariam sendo renegociados com os clientes e negou qualquer possibilidade de golpe.

Além disso, a empresa acusa ser caluniosa as denúncias de golpe milionário, em razão dos baixos valores praticados em cada contrato que, segundo a empresa, não ultrapassam a quantia de R$ 25 mil. ‘Infelizmente estão tentando criminalizar um momento de crise financeira’.