Moradores de rua se espalham por Niterói e colocam autoridades em alerta

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Publicado às 21h20 / Atualizado às 23h38

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Autoridades revelam o crescimento da população em situação de rua no município a partir da continuidade da pandemia. Foto: Arquivo / Pedro Conforte

Arrombamentos em lojas de Icaraí e do Centro de Niterói levaram o presidente em exercício da Câmara dos Lojistas (CDL), Manoel Alves Júnior, mobilizar um encontro virtual, entre representantes do comércio e autoridades policiais, na manhã desta sexta-feira (23) para discutir o assunto. Autoridades atribuem os ataques ao número crescente da população em situação de rua na cidade.

A insatisfação com a situação foi relatada à diretoria da CDL e a reunião foi proposta pelo delegado titular da delegacia de Icaraí (77ª DP), Dr. Claudio Ottero.

Segundo a CDL, assim como em outras cidades, a pandemia trouxe a Niterói aumento significativo de moradores de rua resultando em crescente número de furtos na área.

“Com a continuação do período da pandemia houve aumento da população de rua e muito furto de cabos. Nós entendemos que é necessário planejar uma ação com vários setores envolvidos, cada um no seu quadrado, mas colocando equipes da Secretaria de Assistência Social à frente para analisar caso a caso e trabalhar essas pessoas”

O comandante do Batalhão de Niterói (12º BPM), coronel Sylvio Guerra, comentou sobre o retorno da cultura de sarqueamento da Polícia Militar.

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“Em 2019 o problema era outro. Nós chegamos ao patamar de primeiro lugar no Estado com menos índice de furto na área do 12º BPM. Na situação atual, mudei meu policiamento e conseguimos voltar a realizar a ação de abordagem aos moradores de rua. Os policiais têm feito abordagem sim e estamos fazendo prisões relacionadas a isso, mas o doutor Claudio, por exemplo, sabe da dificuldade de manter essas pessoas presas. É feito o flagrante, a delegacia faz o registro, mas todos são liberados imediatamente após a audiência de custódia, pois não há a interpretação da Justiça de ‘grave ameaça’ por parte dos citados”

O delegado titular da 76ª DP (Centro), Luiz Henrique, também manifestou sua preocupação com a mesma barreira na região do Centro. Já o coronel Gilson Chagas (GGIM) descreveu o trabalho do Niterói Presente e alertou para a presença de crianças e adolescentes entre os acusados.

Lojistas e comerciantes denunciam arrombamentos de estabelecimentos. Foto: Divulgação

“Nós fazemos o próprio sarque no CISP. São mais de mil abordagens. Inclusive a defensoria e o parlamento questionam esses números considerando-os excessivos. Mas nem todos que são abordados são levados para a delegacia. Nós conseguimos reduzir os crimes violentos, mas o crime contra o patrimônio acaba voltando para a rua”

Assistência Social

O secretário municipal de Assistência Social, Wilde Dorian, também considera a situação um problema a nível nacional e garante que a Secretaria trabalha com abordagem 24 horas. Niterói tem três unidades de acolhimento, mas o secretário pontuou algumas dificuldades:

“Dependentes químicos e portadores de doenças mentais não seguem as regras do local e eles precisam aderir ao serviço por livre e espontânea vontade, o que não acontece com esse grupo”

No final da reunião, todos os participantes concordaram que é essencial incentivar os lojistas para sempre realizar o registro de ocorrência dos crimes. Ficou decidido que o Conselho Comunitário de Segurança realizará uma pesquisa detalhada para oficializar os dados, chegar a um diagnóstico correto e apresentar ao MP, em parceria com o Observatório de Segurança. A diretoria da CDL se prontificou para colaborar no que for preciso.

Após o debate, a secretaria de Assistência Social e Economia Solidária, juntamente com o apoio da Guarda Municipal, respondeu prontamente às manifestações de insegurança e começou as operações no espaço conhecido como “Rio Decor” para averiguar denúncias de concentração da população de rua no local.