Neymar: por que talento e popularidade não caminham juntos?

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Jogador Neymar
Após bater importante recorde de gols, Neymar confrontou a imprensa. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Neymar chegou ao 12º gol com a camisa da Seleção pelas Eliminatórias para Copas, ultrapassando nomes como Romário e Zico, e chegando ao topo da lista. Fez nossos olhos brilharem ao surgir no Santos, conquistou Champions League ao lado de Messi, sendo artilheiro, e marcou o historico gol do primeiro título olímpico do Brasil.

Seu talento é inegável. Com a ginga característica das valiosas várzeas brasileiras, Ney apareceu para o futebol nos enchendo de esperança de que seria o comandante da nova geração. Ao mesmo tempo que dançava em campo, mostrava uma objetividade poucas vezes vista em solo nacional. Fez chover ao vencer a Copa do Brasil e Libertadores com apenas 18 anos.

No entanto, algo aconteceu durante seu percurso em meados de 2010. Lá atrás, quando todos ainda estávamos enfeitiçados diante de tanto talento, o técnico René Simões já avisava: ‘Estamos criando um monstro’. Não ouvimos, ignoramos. Até o chamamos de antiquado, ultrapassado e obsoleto. Ele estava certo – e ainda dava tempo de consertar. Hoje, não mais.

Neymar envelheceu mal. Não em campo, onde continua atropelando adversários, clubes, seleções, ligas e copas. Mas fora dele. Arrogante, debochado, às vezes prepotente; mimado, talvez por culpa nossa; sem postura, com certeza por culpa dele. Sua personalidade não condiz com seu futebol.

Às vésperas de alcançar 30 anos de idade, ainda é chamado de ‘menino’. Não tem perfil para ser ídolo – talvez nem queira ser. É massacrado por muitos por (ainda) não ter ganho uma Copa do Mundo. Sinceramente, isso é o de menos. O problema maior é que simplesmente não conseguimos nos enxergar nele. Não nos sentimos representados.

E aí olhamos para trás. A régua cresce, pois as referências são absurdas. Ronaldo, Rivaldo, Romário, Marcos, Roberto Carlos, Dunga, Aldair. Olhando um pouco mais atrás, Jairzinho, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Sócrates, Falcão. Isso para não citar os monstros sagrados como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Leônidas da Silva, Zagallo e Didi.

Neymar é ‘apenas’ um excelente jogador. Um craque. Um talento. Mas não conseguiu enxergar as importantes valias fora das quatro linhas. Não teve a capacidade de educar-se para ser mais. Talvez nem vontade. E, à essa altura, acho difícil que corra atrás do tempo perdido.

Ele construiu seu império, conquistou o mundo da bola, subiu uma mansão e vive em sua própria realidade. Em campo, geralmente é destemperado e grosseiro – ocasionalmente até descontrolado. Arrisco dizer que, ainda que vença uma Copa, não terá mais a qualificação para entrar no hall dos gigantes.

Imagino que ele não se lamente por isso. Talvez, nem nós. Mas fica a tristeza do imaginário de tudo o que ele poderia ter sido e não foi. Exemplos não faltaram. Ele simplesmente não quis – ou não conseguiu – copiar. E vida que segue. Que venham os próximos!