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Black Friday movimenta lojas de Niterói impulsionada pelo 13º salário
Comércio e shoppings aproveitam movimentação e ampliam horários

Neste ano, a Black Friday coincidiu com o depósito da primeira parcela do décimo terceiro salário, o que ampliou ainda mais a procura por ofertas. Mesmo com o forte movimento no comércio digital, consumidores lotaram ruas e centro comerciais de Niterói, na Região Metropolitanao do Rio, nesta sexta-feira (28) para aproveitar os descontos.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a expectativa é de que a Black Friday movimente R$ 5,4 bilhões no país, o maior volume registrado desde 2010.
Em uma loja do setor varejista no Centro de Niterói, estão os produtos mais procurados estão eletrodomésticos, especialmente air fryers, ventiladores, micro-ondas, liquidificadores e televisores.
A expectativa nas vendas é positiva. “A procura está altíssima. Se Deus quiser, dá para bater a meta, sim”, afirma a funcionária lojista Camila Porto.
No segmento de venda de celulares, os descontos começaram ainda no início do mês e vêm crescendo à medida que a data se aproximou, aumentando a busca por aparelhos.

“Hoje é o dia de maior movimento, mas as ofertas e as procuras já acontecem desde o começo do mês. Sai bastante aparelho”, explica o gerente Wesley Souza.
A movimentação nos shoppings também é intensa desde as primeiras horas da manhã. Com a expectativa de grande procura dos consumidores, estabelecimentos funcionam em horário especial, com centros comerciais abertos das 9h às 23h, inclusive neste fim de semana. Além disso, as lojas terão produtos com descontos que chegam até 60%.
Antecipando as compras de Natal

Logo cedo, muitos consumidores também aproveitaram para garantir presentes. É o caso de Lucas Cardoso, que decidiu antecipar as compras da família.
Vim comprar o presente da minha sobrinha, que faz aniversário amanhã, e o da minha mãe, que faz aniversário semana que vem. Aproveitei os preços diferenciados, porque a tendência agora é só aumentar, né? Vai chegando o Natal e os preços vão sendo reajustados
Já Margarete Cunha, que costuma aproveitar a Black Friday todos os anos, desta vez ainda não se decidiu se vai comprar algo. O motivo? Os preços que não estão atrativos.
“Dessa vez eu não estou achando nada muito em conta. Os preços estão básicos. Vou dar mais uma olhada”, avalia.
Variação de preços

Seguindo na lista dos produtos mais procurados, a air fryer é a campeã de vendas.
Em uma loja física, o modelo de 3,6L da marca Mondial está sendo vendido por R$ 169,96 no PIX e por R$ 189,90 no cartão de crédito.
Em outra loja, o mesmo eletrodoméstico custa R$ 199,00 no PIX e R$ 221,11 no cartão de crédito.
O segundo produto mais buscado é o ventilador. Um modelo da Mondial, de 40 cm, 8 pás e 3 velocidades, está sendo vendido por R$ 159,90 em uma loja. Já em outra, o mesmo ventilador da mesma marca sai por R$ 184,00.
E-commerce x Lojas físicas
As plataformas de e-commerce seguem como principal canal de compra para 80% dos consumidores, enquanto 51% ainda optam pelas lojas físicas, de acordo com dados da CNC.
Entre as marcas mais lembradas de forma espontânea estão Mercado Livre e Amazon, seguidas por Shopee, Magazine Luiza, Americanas e Casas Bahia.
Mesmo assim, há consumidores têm preferido ir pessoalmente às lojas.
“Eu gosto mais do presencial. Compro online, mas prefiro muito mais ir até a loja. Porque eu toco, vejo. Às vezes chega uma coisa diferente do que você imaginava, aí tem que trocar. Não gosto. Por isso prefiro presencial”, explica Margarete.
Lucas concorda, embora ainda compre mais pela internet: “Geralmente online o preço é mais atrativo. Mas às vezes você vê em lojas físicas alguma promoção que o site não tem, uma iniciativa da própria loja. Então é bom comparar os dois e decidir o que é melhor.”
Para os comerciantes, o objetivo é justamente trazer o cliente para dentro da loja.
“A procura no presencial está bem alta, que é o nosso foco. O cliente que vem à loja já tem desconto por ser cliente, ou por fazer portabilidade ou nova contratação. Temos venda online também, mas a maior porcentagem é de conversão na loja”, afirma o gerente Wesley Souza.
Cuidado com os golpes
Criminosos aproveitam o dia da Black Friday para aplicar diversos golpes, um dos mais comuns continua sendo a criação de sites falsos que imitam varejistas tradicionais. Eles oferecem produtos com preços muito abaixo da média, o que atrai consumidores que acreditam estar diante de oportunidades legítimas.
Os criminosos aproveitam o aumento das compras online para aplicar golpes que parecem irresistíveis. Os mais comuns são sites falsos, ofertas absurdamente baixas e links ‘imperdíveis’ enviados por WhatsApp ou redes sociais
Segundo o Procon-RJ, esse tipo de fraude segue como o mais frequente, especialmente quando o link chega por mensagens privadas ou grupos com grande circulação de conteúdo.
Nos golpes mais recentes, os criminosos passaram a utilizar caracteres não visíveis ou letras de outros idiomas para criar URLs praticamente idênticas às originais. Fragola cita exemplos em que a letra “M” é substituída pela combinação “R” e “N”, tornando a fraude quase imperceptível.
“Atualmente, com o uso de IA, as páginas estão mais bem escritas e até os erros tradicionais desapareceram. A aparência profissional não garante segurança”, afirma.
Outro golpe que se repete é o phishing, em que o consumidor recebe mensagens supostamente enviadas por bancos ou grandes varejistas pedindo dados pessoais ou bancários. Essa modalidade inclui avisos falsos de “pedido bloqueado” ou “compra suspeita”, sempre acompanhados por senso de urgência.
O Procon alerta que mensagens dessa natureza frequentemente solicitam CPF, número do cartão, senhas ou códigos de verificação, o que jamais é pedido por empresas legítimas. Perfis recém-criados, que não permitem comentários e exibem poucas publicações, também são sinais de alerta.
As ofertas enviadas por WhatsApp e redes sociais costumam ter outro elemento em comum: o pedido de pagamento via PIX para contas de pessoas físicas, um padrão identificado por especialistas como um dos maiores indícios de fraude.
Novos golpes
No caso de marketplaces, embora sejam mais seguros, não estão imunes a fraudes. A especialista em direito do consumidor, Carla Simas afirma que, pela legislação e pela jurisprudência, as plataformas respondem solidariamente quando intermedeiam vendas fraudulentas. O Procon confirma essa leitura, destacando que o consumidor pode exigir reparação diretamente do marketplace, mesmo quando o golpe foi aplicado por um vendedor terceiro.
Avaliar a reputação do vendedor, conferir avaliações recentes e verificar a existência de CNPJ são cuidados essenciais antes de finalizar a compra.
Outra fraude que ganhou força é o falso suporte técnico. Criminosos entram em contato se passando por funcionários de bancos ou empresas de tecnologia e alegam problemas na conta da vítima. O objetivo é induzir o consumidor a fornecer senhas, códigos de segurança ou instalar aplicativos de acesso remoto.
“Empresas legítimas jamais pedem senhas, códigos SMS ou acesso remoto por telefone. Chamadas não solicitadas, mesmo quando parecem vir de números oficiais, devem ser tratadas com desconfiança”, afirma o Procon.
Aplicativos falsos também integram esse conjunto de golpes: eles imitam versões originais de carteiras digitais e bancos, mas capturam dados de login e senhas. A orientação é sempre baixar aplicativos nas lojas oficiais e checar nome do desenvolvedor, número de downloads e avaliações.
Cai no golpe e agora ?
Mesmo com todos os cuidados, consumidores ainda podem cair em golpes. Quando isso ocorre, a orientação é agir rápido. “O consumidor deve comunicar o banco imediatamente, registrar boletim de ocorrência e guardar todas as provas”, afirma Carla Simas.
O Procon complementa dizendo que, no caso de pagamento via PIX, é possível acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode bloquear o valor transferido.
Reclamações devem ser registradas também em plataformas oficiais, como o consumidor.gov e o Procon, que podem tomar medidas adicionais.
Os especialistas reforçam ainda a importância de guardar todos os documentos relacionados à compra, como prints da oferta, comprovantes de pagamento, número do pedido, descrição completa do produto e conversas com o vendedor. “Esses registros são essenciais, inclusive para eventual ação judicial”, diz Simas.
Se o produto não for entregue no prazo, tanto Carla Simas quanto o Procon explicam que o consumidor pode exigir entrega imediata, substituição por item equivalente ou reembolso integral, sempre corrigido.

Tayná Ferreira
Repórter
Apaixonada pela comunicação e amante da Língua Brasileira de Sinais (Libras), também adora fotografia, boas conversas e filmes

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