Enfermeiras são indiciadas por morte de bebê em Niterói

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fachada Getulinho em Niterói
Enfermeiras que trabalhavam no Getulinho foram indicidadas por homicídio e omissão. Foto: Arquivo/Pedro Conforte

A Polícia Civil indiciou, nesta quarta-feira (27), as duas enfermeiras envolvidas no caso da bebê Juliana Duarte Anastácio, morta em agosto do ano passado com 37% do corpo queimado. O caso aconteceu enquanto ambas trabalhavam no Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca, Zona Norte de Niterói.

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi relatado e encaminhado ao Ministério Público com o indiciamento das duas enfermeiras: uma por homicídio culposo, quando não há intenção de matar; e outra por omissão de comunicação de crime.

Juliana sofria de meningite e microcefalia. Por isso, necessitava de internações frequentes para cuidados médicos e, em um desses casos, precisou ser enfaixada por um descuido: a menina foi queimada após um banho com água quente. A morte aconteceu no dia 28 de agosto de 2020, 10 dias depois do ocorrido.

Na última quarta-feira (26), Jefferson Anastácio, pai de Juliana, revelou para o Enfoco que a família não possuía nenhuma resposta da Polícia Civil.

“Vai fazer um ano e meio e até agora a Polícia Civil não decretou o fim do inquérito da minha filha. Não falaram nada pra mim. Resposta exata a gente não teve nenhuma. Por isso que estamos correndo atrás: para não deixar que esse caso seja igual muitos que acontecem por aí. Se fosse a filha de um juiz, não ia levar mais de 30 dias para resolver. Quero que quem fez isso com a minha filha pague”, disse o pai da menina na ocasião.

O vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), que também é presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Niterói, informou que espera que nos próximos dias seja iniciado o processo criminal.

“Vamos seguir acompanhando o caso no Poder Judiciário. Encaminhamos ao MP, ainda em 2020, uma denúncia dando conta de que inicialmente foram criadas dificuldades para garantir o acesso da família ao prontuário da bebê. Para além da questão penal, diante das provas obtidas pela Polícia Civil, queremos debater ainda com a Secretaria de Saúde e com a Promotoria de Saúde, a falta de transparência e as formas precárias de contratação que levam uma Organização Social a possibilitar o atendimento de uma criança por um profissional de saúde totalmente despreparado para a função”, disse.