Times reservas e calote comprovam irrelevância atual do Carioca

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Rubens Lopes é o ‘dono’ da FERJ há anos. Foto: Reprodução/Ferj

O Campeonato Carioca já foi uma grande vitrine do futebol brasileiro aqui e no exterior. Com grandes craques, os quatro grandes da cidade montavam verdadeiros esquadrões e atraíam as atenções de todo o mundo. O Estadual já chegou a ser, inclusive, mais relevante que torneios como a Libertadores em determinado momento da historia.

No entanto, o tempo passou. As coisas mudaram. O futebol se profissionalizou. Os países vizinhos evoluíram. E, hoje, o Carioquinha nada mais é que o reflexo cristalino do que virou o futebol carioca. Sentados na poltrona do melhor futebol do continente, fomos arrogantes o suficiente para não ver o tempo passar. E esta soberba, hoje, cobra um preço alto demais – que não podemos pagar.

Dentro de um calendário cada vez mais espremido pelo elevado número de competições, os clubes brasileiros assistem à inoperância da CBF em adequar nossa rotina à do resto do planeta. Seja por interesses obscuros ou apenas por orgulho, o fato é que nossos campeonatos já não cabem mais no tempo-espaço do futebol globalizado. E o saudoso Campeonato Carioca foi quem mais sentiu na pele esta vontade de abraçar o mundo sem sequer poder esticar os braços.

A verdade é que o Estadual foi perdendo sua relevância ao longo das últimas décadas e fingimos não ver. O que foi comemorado como um título de expressão que tirou o Botafogo da fila de 21 anos de jejum em 1989, hoje, é tido como mero espaço para treinos e experiências. Ser competitivo, atualmente, é sinônimo de relegar o Carioca ao esquecimento. Flamengo e Fluminense são a prova viva disso.

Classificados à grande (será?) decisão da edição de 2021, ambos planejam entrar em campo com equipes mistas. Isto porque, logicamente, os jogos da fase de grupos da Libertadores são infinitamente mais relevantes esportiva e financeiramente agora. Não vale a pena arriscar a perda de peças titulares em jogos que não valem nada.

E, literalmente, não valem nada. Após anos de desmandos via contrato com a Globo, o Cariocão fechou com a Record com valores bastante reduzidos. Para piorar, ainda devem levar um calote – pois, até agora, ninguém viu a cor do dinheiro. Nem mesmo os pequenos Volta Redonda e Portuguesa viram as cifras referentes à classificação às semifinais do torneio. Que fase!

Mas a culpa não é só nossa. Além de imprensa, torcedores e clubes, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro também tem grande parcela de responsabilidade em toda essa zona. Afogados em um amadorismo incompreensível e repugnante, os charlatões da FERJ demonstram diariamente todo o seu descaso pela competição. Só importam o dinheiro e o poder, já que comandam absolutamente tudo e ainda mordem generosas fatias do faturamento das equipes.

Enquanto isso, olhando para o lado, conseguimos enxergar o excelente trabalho de valorização de um futebol que nunca foi tratado como protagonista no Brasil: o nordestino. A Copa do Nordeste, um produto profissional e admirável, comandado pela Liga do Nordeste – entidade fundada em 2010 pelos 15 principais clubes da região -, que já deixa todos os estaduais em segundo plano, mesmo com o novo formato existindo apenas desde 2013.

O coronelismo não tem mais espaço no futebol profissional. Uma estrutura totalmente arcaica que domina a CBF e tem enorme influência no futebol carioca, sendo altamente destrutivo para todos que querem evoluir e se inserir em um cenário pós-amadorismo, globalizado e muito bem planejado.

Futebol, hoje, também é estudo. O vácuo de 19 anos sem títulos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo é apenas a ponta de um iceberg complexo. Sentamos sobre a fama de ‘celeiro de craques’ e vimos quase todo mundo nos ultrapassar em organização. A questão é: queremos levantar e correr atrás do prejuízo ou apenas abraçar o saudosismo do que já foi o futebol canarinho um dia?

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneios regionais.