Vale a pena autorizar Olimpíadas e Copa América em meio ao caos da pandemia?

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Brasil foi o campeão da última Copa América. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Os Jogos Olímpicos são a maior celebração do esporte mundial. A passagem da tocha olímpica simboliza o desfile da esperança que chega para unir povos e inaugurar a disputa entre nações dos cinco continentes. Já a Copa América é a valorização da modalidade mais apaixonante do planeta dentro do maior celeiro de craques da história do futebol.

Pois é. Nada disso combina com o cenário que vivemos atualmente. A menos de 90 dias para as Olimpíadas, o Japão, país-sede do evento já adiado em 2020, vive a tensão de uma provável quarta onda. A cerca de um mês e meio para o pontapé inicial da Copa América, os países sul-americanos se unem pelo desespero diante da falta de doses da vacina contra o coronavírus.

O panorama é de desespero, medo e luto. O espírito apocalíptico que assola as américas e o mundo dizima qualquer clima de confraternização; a falta de perspectiva nos faz concentrar apenas em estar vivo amanhã. Os sentimentos bons se resumem ao alívio em ver nossos entes vacinados – quando em situação de privilégio – e a admiração pela ciência, que trava luta incansável contra um vírus invisível e assustador.

A chama olímpica, inclusive, nos faz lembrar o tamanho da tragédia atual. Seu revezamento foi iniciado, há cerca de um mês, em Fukushima – que, há 10 anos, era devastada por terremotos e tsunamis. Pouco mais de 18 mil pessoas pessoas morreram à época. Número, este, ínfimo perto das perdas causadas pela Covid-19.

Dimensionando por parâmetros esportivos, o coronavírus já levou, aproximadamente, 272 mil vilas olímpicas cheias; também podemos dizer que perdemos algo em torno de 39 mil Maracanãs abarrotados. Isto, claro, falando friamente em números. A situação piora quando humanizamos o quadro: quantas historias foram interrompidas?

Sou um amante do esporte e um aficcionado por futebol. Desde que me entendo por gente, a bola move minha vida e direciona meus caminhos. Mas não posso ignorar tamanha tristeza. Quem não foi afetado pelas consequências da pandemia? Os atletas têm condições psicológicas para focar em disputa esportiva? Vale a pena autorizar as competições apenas para cumprir o protocolo e não interromper a tradição?

Uma das minhas músicas preferidas diz:

"Talvez um dia a gente aprenda / A dar mais valor pro que nos traz paz e menos valor pro que traz renda."

Não é hora de pensar em lucro, disputa, campeonato, patrocínio, tradição, nada disso. Precisamos voltar todos os nossos esforços para a fabricação e distribuição das vacinas – para que, imunizados, possamos dar o valor adequado a competições tão grandiosas.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneios regionais.