Faixas estendidas na passarela em frente ao Hospital Getúlio Vargas Filho (Getulinho), na Alameda São Boaventura, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, chamam atenção de quem passava pelo local desde a última terça-feira (12). Os moradores da região as colocaram no dia seguinte ao acidente com um motorista de caminhão que perdeu o freio na descida da Caixa D’Água e bateu violentamente contra um poste logo abaixo.
Os dizeres refletem o desespero dos moradores que se dizem cansados de conviver com o medo frequente de acidentes. Eles pedem também uma solução para acabar com o problema na região.
“É frequente, frequente. A questão de um mês atrás trocaram esse poste. Agora trocaram outro. Vai viver trocando poste? A gente vai viver sempre assim com esta ameaça?”, questionou Ester Silva, comerciante da região, que afirma ter ficado o dia inteiro sem luz após o último acidente. “O cara da loja de moto que tinha aqui saiu com medo. Entregou a loja e foi embora. As pessoas têm medo até de parar aqui”, completou.
“Já vi aqui na porta, por meio metro, o caminhão entrar aqui dentro. O acidente foi ali no imóvel do meu filho”, relatou a moradora Suzana Costa, que pede medidas urgentes: “Teria que reduzir a velocidade. Caminhão em alta velocidade não dá tempo de frear.”
Os relatos, cheios de indignação, mostram que o temor da comunidade não é infundado. Os moradores dizem que veículos de grande porte descem em alta velocidade, muitas vezes sem controle dos freios, o que já causou mortes e prejuízos.
O mecânico Eduardo Marins lembra de um acidente fatal envolvendo um ônibus. “O caminhão que tem um guincho grandão pegou o ônibus, morreu gente aí. Se tivesse alguma barreira antes, isso não teria acontecido”, disse.
Diante da repetição dos casos e da ausência de medidas eficazes, moradores sugerem medidas, como instalação de quebra-molas, fiscalização eletrônica, restrição de circulação para caminhões em determinados horários e sinalização mais clara.
“As únicas coisas que podem fazer pra diminuir esses acidentes é um quebra-mola ou um radar porque o pessoal vem voando lá de cima”, disse Eraldo Oliveira, morador da região há décadas.
O que diz o DER
Procurado, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pela via, informou que está em andamento um estudo para a implantação de redutores de velocidade no trecho final da Alameda São Boaventura. A ação faz parte do projeto de revitalização da RJ-104, que inclui melhorias no pavimento ao longo de 7,8 quilômetros, até a conexão com a RJ-106.
O órgão afirmou ainda que ajustes no contrato da obra foram necessários, em conformidade com a Lei das Licitações, o que impactou o andamento das intervenções.
Enquanto as medidas não são implementadas, a comunidade segue em estado de alerta. “Aqui o pessoal já não tá querendo nem passar mais. Com medo de se acidentar, com medo de um carro pegar. Como a gente fica assim?”, desabafa Ester Silva.
Moradores esperam que o protesto e a mobilização popular sirvam de alerta para os riscos da descida da Caixa d’Água antes que novas tragédias aconteçam.