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“O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos.
Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer um dos dois, é preciso aprender a escolher os objetos de amor – e o critério dessa escolha é: Quais são as coisas que, se dependessem de mim, deveriam durar para sempre? Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre””
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Eu conversava, ainda hoje, no carro, sobre esse assunto. O professor Olavo tentava dizer, nessa passagem, extraída de uma de suas aulas, o quanto, nos dias de hoje, perdeu-se a capacidade de prezar, buscar, preservar e perpetuar as coisas que são realmente BOAS, BELAS E VERDADEIRAS.
Carpe Diem
Na efemeridade do presente, o prazer precisa ser imediato, o desejo deve ser prontamente satisfeito, nenhuma gratificação pode ser adiada ou negada. O homem moderno quer tudo para ontem, age como se o mundo fosse terminar amanhã, e assim agindo, vai-se dessensibilizando, perdendo a capacidade de análise e de avaliação.
Afinal, como saber o que realmente vale a pena perseguir, aguardar, manter e eternizar, se não nos detemos em mais nada? Como perceber o que realmente importa, nessa vida, se o gozo e o prazer precisam acontecer todos os dias, e a tatuagem da moda é “carpe diem “ ( aproveite o dia)? Na velocidade do pensamento e do agir, o que é importante se perde.
Amores sinceros
Por essa razão, amores sinceros são tão raros, amizades verdadeiras quase não existem, relações despidas de utilidade e baseadas no sentimento puro e cristalino estão fora de moda. O critério moderno é a utilidade : no que essa coisa, essa situação ou essa pessoa podem me ser úteis?
Eu vivi uma grande crise de identidade no final de 2019. Nem vou colocar a culpa na pandemia, porque esta aconteceu antes… Eu vivi uma tragédia pessoal e familiar, que me fez repensar profundamente meus valores e perceber que estava desperdiçando a minha vida, com coisas, pessoas e atitudes que não mereciam durar para sempre.
A partir desse ponto de ruptura, eu passei a repensar profundamente toda a minha trajetória, e a buscar resgatar o bom, o belo e o verdadeiro, que haviam se perdido pelo meu caminho. Não vou poder dizer que foi fácil… houve muitas consequências… Afinal, perceber-se inserido em uma vida destituída de um sentido, um propósito maior, e sentir-se envergonhado das próprias escolhas, exige uma mudança drástica!
Começar a pensar, como o texto do início diz, nas coisas que merecem durar para sempre, e nestas manter o foco, faz com que você precise despir-se, primeiro, da vaidade, calce as sandálias da humildade, e se analise sem pena ou sem medo.
A seguir, você começará a precisar de mais tempo consigo mesmo, menos barulho, mais silêncio, para olhar pra dentro, fazer uma autoanálise, sentir a dor das suas constatações, chorar sozinho, fazer promessas e tomar resoluções. E então começará a faxina… que é a pior parte, a mais pesada.
Lixo emocional
Relações por interesse ou utilitárias precisam descartadas. O lixo emocional tem que ser eliminado. Tudo passará pelo crivo: é de verdade? É bom? Merece perdurar ? Como é duro constatar que a maioria das nossas relações orbita em torno de interesse… E que nós mesmos alimentamos isso, muitas das vezes… Será preciso ser verdadeiro. Coerente. Falar uma coisa e fazer outra não vale. Ser fofoqueiro e invejoso também não. Para atrair e pessoas boas, amizades valorosas e desenvolver virtudes, você precisará, acima de tudo, exercitar, o tempo todo, um comportamento virtuoso.
Deixar para trás todo o lixo que adotamos, como comportamento, pensamentos e desejos, em nossas vidas, é extremamente difícil. O hedonismo está tão em voga porque não dá trabalho. Desejar bens e prazeres imediatos é muito mais simples. O que é mais complexo, afinal? Ser bom, ganhar um lugar no céu, perdoar verdadeiramente alguém, conquistar um amor sincero e desinteressado, ou sair por ai fofocando, expor-se nas redes, ter relações fugazes, ostentar?
Ser virtuoso é extremamente difícil e sobretudo complicado, no mundo em que vivemos. Aviso logo que há bastante sofrimento envolvido nessa busca. Muitas lágrimas serão derramadas. Muitas decepções acontecerão. Mas a outra opção, embora pareça a mais fácil, é muito pior, a longo prazo: Viver sem um propósito, não deixar um legado para aqueles que você preza, ser exemplo para seus filhos, não ter amigos verdadeiros. Não poder sonhar com o céu. Não ter AMOR.
Porque o maior dos presentes que a faxina e a verdadeira mudança íntima podem trazer , para nossas vidas, é o AMOR. Ele é a chave, para que possamos abrir todas essas portas. Sem amor, não teremos como buscar a verdade, a bondade e a beleza. O amor está no centro de tudo. E, infelizmente, nos acostumamos a viver sem ele.
Sentido da vida
Depois de uma longa trajetória, em muitos aspectos desperdiçada, consegui, da história da minha vida, extrair o que merecia perdurar, e abrir espaço, removendo tudo que não me servia mais, para que o novo chegasse, mudando o que precisava ser modificado.
E descobri que o que dá sentido a todo o resto é o AMOR. Pelos filhos. Pelos amigos. Pela família. O amor romântico que une duas pessoas. O amor pela profissão. O amor que advém da caridade. O amor por Deus. A VIDA SÓ VALE A PENA SE VOCÊ DER E RECEBER AMOR. O AMOR é o que merece durar para sempre.
Desejo a cada um de vocês uma vida repleta desse sentimento que tudo transforma.