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São Gonçalo

Família alega negligência médica após idosa morrer no Heat

Redação | Publicado em:

Reprodução



Após a morte da idosa Rosalina da Conceição Carneiro, de 84 anos, em 15 de fevereiro deste ano, familiares dela acusam de negligência médica o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) no Colubandê, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

O caso é investigado pela 74ª DP (Alcântara). Parentes alegam que a aposentada faleceu após uma luta para obter os medicamentos de rotina, de pressão e diabetes.

Os medicamentos, segundo as denúncias, teriam sido disponibilizados somente dias após a internação. 

Além disso, a queixa dá conta de que a paciente veio a óbito após um procedimento que resultou na perfuração do pulmão. A direção da unidade nega as alegações.

Queda

Rosalina, que morava no bairro Rocha, em São Gonçalo, raramente ficava sozinha. No dia 4 de fevereiro, estava na companhia da filha Maria de Lourdes Duarte Carneiro, quando sofreu uma queda dentro de casa, resultando em uma fratura na perna esquerda.

A filha conta que prestou auxílio imediato. No dia seguinte, diante das intensas dores na perna, a família solicitou a intervenção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A idosa recebeu atendimento e os familiares foram instruídos a levá-la ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), onde deu entrada na unidade de saúde em 5 de fevereiro.

“Durante o atendimento, comunicamos ao médico sobre as dores na perna, após a queda, além de informar sobre sua condição de hipertensão e diabetes. Ela passou por Raio-X, exames de sangue e urina. Após algumas horas, o resultado revelou uma fratura no colo do fêmur, exigindo internação para cirurgia”, relatou Ana Cristina Duarte Carneiro, outra filha da paciente.

O médico, então, internou a idosa e prescreveu a medicação diária para sua pressão.



Indignação

Conforme relatado pela família, a cirurgia de Rosalina estava agendada para o dia 16 de fevereiro. A ausência dos medicamentos diários, que de acordo com as filhas, nunca chegavam até o leito da idosa, agravava sua condição.

Após repetidas solicitações dos parentes, as filhas foram surpreendidas ao constatar que os medicamentos prescritos pelo médico não constavam em sua ficha, aponta a denúncia.

“Insistimos muito para que as enfermeiras trouxessem os medicamentos dela, pois ela estava piorando. Algumas vezes fomos até atendidas com arrogância. Conseguimos descobrir que os medicamentos de rotina não estavam na ficha dela. Questionamos as equipes, e a minha mãe só conseguiu tomar a medicação na quarta-feira, ela ficou esse tempo todo sem tomar. A pressão dela chegou a 22X14 e glicose mais de 500″, continua Ana Cristina.

Luta

Com dificuldades, Rosalina chegou a tomar água por colher.

“Eu via a minha mãe em cima daquela cama, eu estava dando água para ela com a colher, porque ela não conseguia abrir a boca. Quando outro médico pediu a medicação dela, ele colocou comprimido. Eu perguntei para ele senão era melhor fazer a medicação venosa porque ela não tinha condições de engolir, ele disse que estudou e sabia o que estava fazendo”, pontua Ana Cristina.

Com o tempo, a condição de Rosalina piorou, chegando ao ponto em que enfrentou dificuldades respiratórias e precisou ser rapidamente transferida para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

“Eu estava muito nervosa e tive que gritar: ‘Minha mãe está morrendo, chama o médico. Eu vou chamar a polícia’. Eles falavam que já tinham comunicado ao médico, mas ele só apareceu uma hora depois. E minha mãe teve que ser levada para o CTI”, contou a filha Maria de Lourdes.

Piora

Após a transferência para o CTI, alegam os familiares, Rosalina inicialmente demonstrou melhoras, porém, logo em seguida, sua condição apresentou agravamento.

Houve um rebaixamento do nível de consciência, e a idosa teve que ser submetida a intubação orotraqueal e punção venosa profunda, com múltiplas tentativas.



Corpo com cateter venoso, diz denúncia

A idosa Rosalina da Conceição Carneiro, de 84 anos, faleceu em 15 de fevereiro, um dia antes da cirurgia programada.

Além da dor da perda, os filhos da paciente contam que foram surpreendidos ao constatar que “o corpo foi entregue à funerária ainda com o cateter venoso preso e uma atadura ao redor do rosto, segurando o queixo”, alegam os familiares.

“Estamos sem saber o que aconteceu com a nossa mãe naquele hospital. Ela entrou lá só com um problema na perna. Se tivessem dado as medicações, isso não aconteceria. Quando vimos o corpo, nem mesmo o cateter eles tiraram antes de entregar para a funerária e tinha uma faixa segurando o queixo dela, provavelmente deve ter rasgado o corpo dela quando tiraram o tubo da boca dela. Ela foi sepultada com o cateter agarrado”, contou o filho Leonardo Duarte Carneiro.

O caso está sendo investigado pela 74ª DP (Alcântara), onde a família da idosa já foi ouvida. Procurada, a Polícia Civil ainda não informou como está o andamento do caso.

O que diz o hospital

A direção do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) informou ao ENFOCO que a paciente fez uso de todas as medicações necessárias indicadas pelos médicos assistentes, como registrado em seu prontuário.

“Por se tratar de patologia gravíssima, com alta mortalidade em pacientes idosos, e por ser portadora de comorbidades que agravaram o quadro, infelizmente, mesmo assistida, teve piora do quadro e não resistiu. Como de costume, os procedimentos padrões de retirada de dispositivos foram realizados antes da liberação do corpo para a funerária”, esclarece.

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