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Dia Mundial do Veganismo: uma opção saudável e sustentável

Redação | Publicado em:

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Especialistas mostram como é possível fazer uma escolha consciente pela alimentação vegana. Foto: Fiama Azevedo – Ascom Saúde RJ



Veganos por todo o planeta celebram o dia 1º de novembro como o Dia Mundial do Veganismo, uma filosofia de vida que busca excluir ao máximo, dentro do possível, toda forma de exploração animal, o que inclui vestuário, produtos de higiene e limpeza e todas as outras formas de consumo, indo muito além da alimentação.



A data foi criada em 1994 pela Vegan Society, a sociedade vegana mais antiga do mundo, e traz à tona a reflexão sobre as motivações para fazer a opção. Entre elas, preocupação com o meio ambiente e com o bem-estar animal e a busca por uma vida mais sustentável.



Pessoas que excluem alimentos de origem animal do cardápio são parte de uma tendência mundial. Pesquisa da empresa de dados e estatísticas GlobalData aponta que 70% de toda a população do mundo está diminuindo ou abandonando o consumo de carne.



Outro levantamento, realizado pelo Ibope Inteligência por encomenda da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), mostra que no Brasil 14% da população se declara vegetariana, um crescimento de 75% em relação à pesquisa anterior. A SVB estima que haja cerca de 7 milhões de adeptos do veganismo no país.



A edição mais atual do Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde dentro da realidade do país a partir de um estudo dos hábitos alimentares das cinco regiões, incentiva uma alimentação saudável e sustentável.



A nutricionista Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da Secretaria, explica que, mesmo com a cultura alimentar brasileira tendo a presença tão marcante de leite, queijos, ovos e outros alimentos de fonte animal, o próprio arroz com feijão, tão típico da alimentação brasileira, é a junção de duas fontes proteicas que se complementam, equivalente a um bife, do ponto de vista nutricional.



“O veganismo é uma alternativa para a busca pela ‘comida de verdade’, menos industrializada e que não impacta tanto no meio ambiente”, afirma Eralda. A variedade de vegetais disponíveis no Brasil é outra vantagem para quem deseja se tornar vegano.



“Existem soluções acessíveis para quem fizer esta escolha, como manter uma alimentação equilibrada e aumentar o consumo de vegetais verdes escuros, castanhas e legumes, como a abóbora. Em caso de dúvida, deve-se procurar um nutricionista”, recomenda.



A especialista enumera os benefícios da alimentação vegana para a saúde, como a redução do risco de doenças cardíacas, hipertensão arterial, diabetes e alguns tipos de câncer.



“O impacto desta opção é que leva a um consumo menor de sal, açúcar e gordura, porque produtos de origem animal estão mais relacionados a alimentos salgados, gordurosos e açucarados, então a transição leva a uma diminuição dos fatores de risco para essas doenças”, esclarece.



Cuidados necessários



Como todo tipo de alimentação, a vegana requer atenção à variedade de alimentos para não ocorrer prejuízo à saúde. Frutas, legumes e verduras devem estar presentes no cardápio de todos. Para uma dieta balanceada, é preciso estar atento às combinações de leguminosas e cereais, que representam fontes proteicas.



Mirna Ballod, nutricionista filiada à Sociedade Vegetariana Brasileira, indica que o ideal é que seja feito um rodízio de cores dos próprios legumes e hortaliças, pois cada cor é uma oferta diferente de vitaminas e minerais. E acrescenta:



“Produtos integrais e caseiros, independentemente da presença de carne na dieta, são mais recomendados do que industrializados, que, para durarem na prateleira e serem palatáveis, são ricos em aditivos químicos, conservantes, realçadores de sabor, açúcar e estimulantes como o glutamato monossódico”.



Já a vitamina B12 é um nutriente específico dos alimentos de origem animal. Para não haver falta, é possível consumir alimentos veganos enriquecidos com B12 ou suplementos, que devem ser prescritos por nutricionistas ou médicos.



Eralda justifica a necessidade: “A vitamina B12 é imprescindível para o sistema nervoso e para o sistema hematológico, para a formação de hemácias no sangue, que levam oxigênio para todas as células. Para suprir a falta, pode-se fazer consumo de alimentos enriquecidos com B12, que já são oferecidos no mercado, ou fazer suplementação, que nesse caso precisa ter aconselhamento profissional para não haver deficiência nem excesso”. A insuficiência de B12, no entanto, é comum mesmo em quem come carne, ocorrendo em cerca de 50% da população brasileira.



Opção acessível a todos



A indústria alimentícia está atenta a este mercado, oferecendo cada vez mais alternativas veganas. Faculdades de nutrição já formam profissionais capazes de orientar pacientes de acordo com o veganismo. E o número de veganos não para de crescer.



Um exemplo é Ruan Felix, de 27 anos, que se tornou vegano há sete anos. Ele trabalhava como publicitário, mas a experiência vegana o levou a se especializar nesta gastronomia. Hoje, ele é chef e professor do tema. A motivação para fazer a escolha foi, a princípio, a ética com os animais, mas passou a ser também uma preocupação ambiental e social.



“Na época, eram poucas as referências e tive um aprendizado ao longo do tempo. Comecei a cozinhar para mim mesmo e decidi me profissionalizar”, recorda. “A questão dos nutrientes é a primeira coisa que a família pergunta. Eu precisava provar para eles que conseguia me alimentar bem e de forma nutritiva”.



Para ele, há cada vez mais motivos para manter a decisão: “Vivemos um momento em que tantas queimadas para abrir pasto pro gado estão destruindo nosso meio ambiente e que é necessário repensar nossas escolhas”.



Sobre essa motivação, Mirna comenta: “Sabemos que o Brasil é o maior exportador de carne bovina, e a criação de gado exige grandes extensões de monoculturas de soja e milho, por exemplo, que acabam prejudicando a fertilidade do solo, o que demanda o desmatamento de novas áreas. Tudo isso tem levado as pessoas a terem mais consciência e buscarem mais informações sobre suas escolhas.”



Ruan conta nunca ter se arrependido: “Pelo contrário, a cada dia estou mais satisfeito com a minha escolha. Queria ter feito há mais tempo. Estou muito bem de saúde, o que está muito mais relacionado a hábitos saudáveis do que à escolha do tipo de dieta”.



Ele faz parte de um grupo de pessoas que desmistificam a crença de que ser vegano é caro e pouco acessível: “A visão de que o veganismo é para gente rica é equivocada. Eu não sou rico, assim como muitas outras pessoas que conheço e que se alimentam muito bem sendo veganas”.



Transição possível



Para quem acha que abrir mão de todos os alimentos de origem animal de uma vez é muito difícil, há iniciativas como a campanha Segunda Sem Carne, que busca conscientizar sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre os animais, a sociedade, a saúde humana e o planeta, fazendo o convite para descobrir novos sabores ao substituir a proteína animal pela vegetal pelo menos uma vez por semana.



Presente em mais de 40 países pelo mundo, o movimento conquistou apoio de líderes, governos, personalidades e empresas. No Brasil, foi implementada a Alimentação Escolar Vegetariana nas escolas municipais de São Paulo, em que os alunos da rede pública têm acesso a refeições livres de produtos animais desde 2011.



“A pessoa pode tirar um dia, não necessariamente a segunda-feira, para experimentar, buscar novos paladares, outros sabores e texturas” sugere Mirna. Testar receitas, buscar mais informações, provar alimentos ainda desconhecidos: são muitas as formas de ampliar o paladar e se adaptar gradativamente ao veganismo.



Fontes vegetais de nutrientes



Estas são apenas algumas das alternativas de alimentos vegetais que são fontes de nutrientes importantes para o organismo:



Zinco – feijões (especialmente o azuki), sementes de abóboras e girassol, castanha de caju, tahine (pasta de gergelim).



Ômega-3 – Sementes e óleo linhaça, nozes, feijão de soja e óleo de canola.



Ferro – lentilha, grão de bico, amêndoa, agrião e castanha do Pará.



Cálcio – couve, rúcula, agrião, mostarda, brócolis e tofu.



Proteína – quinoa, feijão, ervilha, lentilha, amendoim e aveia.


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