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Brasil & Mundo

Empresa aérea Azul entra com pedido de recuperação judicial

Redação | Publicado em:

Tomaz Silva / Agência Brasil



A companhia aérea Azul anunciou nesta quarta-feira (28) que entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. O objetivo é eliminar mais de US$2 bilhões em dívidas (aproximadamente R$11 bilhões), fortalecer o caixa e assegurar a continuidade das operações.

O processo conta com um pacote financeiro que inclui US$1,6 bilhão (R$9,1 bilhões) em financiamento (tipo DIP, Debtor-in-Possession), destinado a pagar parte da dívida existente e gerar US$670 milhões (R$3,8 bilhões) em liquidez adicional. A reestruturação prevê ainda uma oferta de direitos de ações de até US$650 milhões (R$3,7 bilhões) e um investimento extra de US$300 milhões (R$1,7 bilhão) de seus parceiros estratégicos United Airlines e American Airlines.


O pedido, no entanto, derrubou as ações da Azul. Os ADRs da companhia listados nos Estados Unidos desabaram quase 30% antes da abertura dos mercados. No Brasil, os papéis da empresa chegaram a cair 6% por volta das 10h45, momento em que entraram em leilão devido à volatilidade.

A crise financeira da Azul se arrasta há meses. Em abril, a companhia já havia anunciado um prejuízo de R$1,82 bilhão (R$10,3 bilhões) no primeiro trimestre – resultado pior que o registrado no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, as ações acumulam perdas de 70%.

O que diz a Azul 

Segundo a Azul, a operação foi planejada com apoio de seus principais stakeholders, incluindo os detentores de títulos de dívida, a maior arrendadora AerCap e os parceiros comerciais. A empresa informou que continuará operando normalmente durante o processo, mantendo voos, reservas e demais compromissos com clientes e fornecedores.

Em entrevista à “Reuters”, o CEO da Azul, John Rodgerson, destacou que a pandemia de Covid-19, as turbulências macroeconômicas e os gargalos na cadeia de suprimentos pressionaram severamente as finanças da companhia. “Tínhamos muitas dívidas no balanço, principalmente devido à Covid. Agora temos a oportunidade de limpar tudo”, afirmou.

“Acreditamos que podemos entrar e sair antes do final do ano. Já estamos entrando com a saída em mente e com o financiamento garantido.”

Governo americano

Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos afirmou, em nota, que acompanha atentamente o processo e acredita que a reestruturação será bem-sucedida, como ocorreu com outras empresas do setor aéreo, como Latam e Gol. “O governo segue monitorando o setor aéreo e oferecendo apoio institucional às companhias”, declarou o ministério.

Assim como Aeroméxico, Avianca, Gol e Latam, a Azul se junta a um grupo de companhias aéreas latino-americanas que recorreram à recuperação judicial para enfrentar o endividamento pós-pandemia. A expectativa é que a companhia consiga sair do processo antes do fim do ano.

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