A solidariedade de uma família em meio à dor vai ajudar a salvar vidas. Familiares de um jovem de 21 anos autorizaram, na manhã desta segunda-feira (26), a doação de órgãos após a confirmação de morte encefálica do rapaz, que sofreu um acidente de moto. Ele estava internado havia duas semanas, em estado gravíssimo, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo.
A captação foi realizada por equipes do RJ Transplantes, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde, e da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do hospital. Foram retirados fígado, pâncreas e rins, que serão destinados a pacientes que aguardam por transplantes. Dois veículos da secretaria deram suporte ao transporte dos órgãos até seus destinos.
O protocolo para confirmar a morte encefálica foi iniciado na última sexta-feira (23). Após a realização de todos os exames obrigatórios, o diagnóstico foi confirmado neste domingo (25). Com o apoio de profissionais da medicina, da psicologia e da assistência social, os familiares receberam acolhimento antes de serem consultados sobre a possibilidade de doação. Mesmo abalados pela perda, decidiram autorizar o procedimento.
A equipe de doação do HEAT tem outros dois protocolos de morte encefálica em andamento. Os pacientes envolvidos nesses casos também foram vítimas de acidentes de moto. Somente neste ano, o hospital já captou mais de 200 órgãos, além de tecidos como pele e ossos.
Acidentes de moto sobrecarregam hospital
Referência estadual no atendimento a pacientes com múltiplos traumas, o Alberto Torres enfrenta uma demanda acima de sua capacidade. Funcionários relatam que dezenas de cirurgias previamente agendadas precisaram ser canceladas nas últimas semanas devido à chegada constante de vítimas de acidentes de moto à emergência e ao centro de trauma.
De acordo com os profissionais, as equipes de ortopedia, cirurgia geral, neurocirurgia e bucomaxilofacial operam cerca de 15 pacientes por dia. No entanto, o número de novos casos pode chegar a 30 no dia seguinte. Nos fins de semana, a quantidade de acidentes chega a triplicar.
“Estamos enxugando sangue. Não é nem mais gelo”, afirmam os funcionários, ao descrever a pressão enfrentada pelas equipes diante do volume de atendimentos.