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Segurança Pública

Estudante acusa mulher de racismo em mercado de Niterói

Ezequiel Manhães | Publicado em:

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O estudante de odontologia Victor Gomes, de 21 anos, alega ter sofrido racismo por uma cliente dentro de um supermercado em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, nesta segunda-feira (19).

O jovem, que é negro, fez o triste relato em rede social, na véspera do aniversário. Na ocasião, segundo Victor, dentre outras ofensas – a mulher branca teria dito a ele que “o povo brasileiro é só branco”.

“A senhora passou e começou a falar comigo afirmando que eu era africano, nigeriano, que eu dessa cor não poderia ser brasileiro. Eu me senti um nada. Não pedi a opinião dela de nada”, contou a vítima ao ENFOCO.

O ataque contra o rapaz ocorreu por volta de 11h30. Ele disse que foi ao mercado só para comprar um produto que usaria na faculdade, quando foi surpreendido pela mulher.

“Não é um mercado que eu vou de costume. Eu estava lá procurando fubá, porque faço odontologia e iria comprar o material para fazer raspagem e etc. Quando a funcionária foi buscar para mim, já que eu não estava encontrando, essa senhora passou e começou a falar isso”, explica.

 





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Em vídeo compartilhado no Instagram, a vítima exibiu a imagem da acusada. Na gravação, ele pedia para que a mulher saísse do local.

Ainda nervoso com a situação, Victor chorou ao contar o caso aos seguidores. Ele registrou o boletim de ocorrência online. A Polícia Civil, procurada pela reportagem, ainda não deu detalhes da investigação.

“Eu expliquei todo o contexto da história para ela, da chegada dos portugueses, dos escravos. Falei que uma região que não tem muita miscigenação é na Europa, ela olhou para mim de cima abaixo. E quando eu disse da Europa, ela disse que era o caso dela. Eu estava transtornado e perguntei se ela poderia ir embora, quando ela olhou pra mim e perguntou se eu estava incomodado, e eu falei que ela estava sendo racista”, desabafou.

O Supermercado Maravista afirmou ter tomado ciência do caso e encaminhado para o setor jurídico. Em nota, disse que repudia qualquer tipo de discriminação, seja por raça, gênero, orientação religiosa e origem étnica. Também pontua que treina os funcionários para mediar as situações de conflito entre os clientes.

“O supermercado é um lugar de todos e para todos os públicos, sua gestão trabalha diariamente no incentivo à boas práticas e bons costumes. Reforçamos que o ocorrido não teve a participação de nenhum funcionário da empresa. Destacamos, por fim, que estamos de braços abertos para todos os clientes, buscando receber a todos da melhor maneira possível. Contudo, atitudes racistas e discriminatórias não são bem vindas e devem ser punidas nos termos legais”, esclareceu.

Victor disse que o apoio da família foi fundamental após o caso.

“Tudo isso ocorreu na véspera do meu aniversário. Não tem como eu não me exaltar, levantei a voz e mandei ela ir embora. A única coisa que eu queria era sair de lá. Eu não costumo passar por isso, mas a gente é fadado a passar por isso. Os meus pais e meu irmão me deram apoio. A minha mãe sempre me ensinou a ser forte, a me levantar, a ter voz”, finalizou Victor.

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