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Brasil & Mundo

No BRICS, Lula repudia conflitos: ‘Ameaçam a humanidade’

Redação | Publicado em:

Ricardo Stuckert / PR


Neste domingo (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou da primeira sessão plenária da Cúpula dos Chefes de Estado do BRICS, intitulada “Paz e Segurança e Reforma da Governança Global”, que acontece no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Durante seu pronunciamento, ele ressaltou o papel estratégico do BRICS na promoção da paz e na prevenção de conflitos ao redor do mundo.

“Se a governança global não acompanha as transformações do cenário multipolar do século 21, é responsabilidade do BRICS colaborar com essa modernização. A diversidade e representatividade do grupo conferem a ele capacidade de atuar como agente de mediação e estabilidade internacional. Temos condições de construir os alicerces de uma governança mais eficaz”, afirmou Lula.



O presidente brasileiro também defendeu mudanças profundas no Conselho de Segurança da ONU, a fim de torná-lo mais democrático, legítimo e funcional. Segundo Lula, a inclusão de países da Ásia, África, América Latina e Caribe como membros permanentes é uma medida não apenas justa, mas essencial para a sobrevivência da própria organização.

“Adiar essa transformação aumenta o risco de instabilidade global. A cada dia mantida uma estrutura internacional ultrapassada e excludente, perdemos a chance de resolver as crises que ameaçam a humanidade”, argumentou.

Lula também criticou a paralisia do sistema multilateral, destacando que o Conselho de Segurança tem perdido relevância e muitas vezes sequer é consultado antes de ações militares. “A repetição de discursos antigos serve para justificar intervenções ilegais. É um enredo já conhecido, que mina a credibilidade do órgão”, disse o presidente.

Apesar das críticas, ele ressaltou momentos em que a ONU teve papel relevante, como no processo de descolonização e na proibição de armas químicas e biológicas. Mencionou ainda o sucesso das missões no Timor-Leste como exemplo de que a atuação multilateral pode, sim, gerar estabilidade e promover a paz.

Com o Brasil novamente sediando a cúpula, Lula destacou a relevância do BRICS na ordem global. Juntos, os países do grupo concentram quase metade da população mundial e produzem cerca de 40% da riqueza do planeta. A adesão de novos integrantes, segundo ele, fortalece o Sul Global e amplia a presença de nações emergentes nos debates internacionais.

Armas nucleares e guerras

O presidente também se posicionou contra o aumento de gastos militares. “A recente decisão da OTAN incentiva uma nova corrida armamentista. Investir 5% do PIB em defesa parece mais simples do que cumprir a meta de 0,7% para a Assistência Oficial ao Desenvolvimento. Isso revela que os recursos existem, mas falta vontade política para priorizar a paz”, declarou.

Lula alertou ainda para o risco crescente de uma tragédia nuclear, mencionando a preocupação com o uso político da Agência Internacional de Energia Atômica. “Assim como já ocorreu com a organização que proíbe armas químicas, colocar em xeque a credibilidade desses órgãos compromete sua missão. O medo de um desastre nuclear voltou a fazer parte da nossa realidade”, afirmou.

Por fim, o presidente reiterou a posição do Brasil contra os conflitos armados em curso, como os da Faixa de Gaza, Ucrânia e Haiti. Ele defendeu que nenhuma religião ou nacionalidade seja vinculada ao discurso de ódio e destacou a importância do Grupo de Amigos para a Paz — iniciativa liderada por Brasil e China com o apoio de países do Sul Global — para buscar alternativas diplomáticas ao fim das hostilidades.

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