Quase 300 profissionais responsáveis pela limpeza do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP), no Barreto, em Niterói, continuam sem receber salários, vale-refeição e vale-transporte. Os pagamentos, previstos para a última sexta-feira (23), não foram efetuados pela empresa terceirizada CN Global. A falta de dinheiro já afeta a rotina das famílias e compromete até o deslocamento dos funcionários para o trabalho.
Sem recursos para despesas básicas, trabalhadores relatam dificuldades para colocar comida na mesa e manter as contas em dia. “Temos o básico do básico: arroz, feijão e ovo”, diz um desabafo. Segundo os relatos, a Fundação Saúde já teria repassado o dinheiro à empresa, mas os valores ainda não chegaram às contas dos profissionais, por razões ainda desconhecidas.
No último dia 20, quando procurada pelo ENFOCO, a CN Global informou que estavam pendentes os salários referentes ao mês de setembro e os benefícios de vale-alimentação dos meses de setembro e outubro.
Na ocasião, a empresa alegou que intercorrências documentais haviam impactado temporariamente o fluxo dos repasses financeiros, mas afirmou que as questões já tinham sido esclarecidas e regularizadas junto à Fundação Saúde.
Apesar da justificativa, os funcionários afirmam que continuam sem receber os valores devidos.
Falta de pagamento afeta plantão e deixa famílias em dificuldade
A situação também tem reflexos no funcionamento do serviço público. Segundo relatos, o plantão da última sexta-feira (23) contou com poucos profissionais, já que muitos trabalhadores não tinham dinheiro para pagar a passagem e chegar ao hospital.
Além dos salários atrasados, os funcionários denunciam o adiamento recorrente das datas de pagamento e o acúmulo de benefícios não recebidos. Há relatos de trabalhadores endividados e de uma funcionária que teria sido despejada por não conseguir pagar o aluguel.
“Uma falta de vergonha. Sempre adiando a data. Descaso com o trabalhador. Infelizmente, a empresa vai passar uma nova data. A gente não sabe mais o que fazer. Uma menina foi despejada por falta do aluguel. Hoje, no plantão, não tem quase ninguém por conta da passagem”, relatou uma funcionária.
Os trabalhadores afirmam que já procuraram o sindicato, mas temem sofrer consequências caso paralisem as atividades.
“A empresa está devendo dois [meses de] alimentação, mais passagem, mais pagamento. Está chegando o novo quinto dia útil e a gente não recebeu nem o primeiro pagamento. A empresa CN Global bota a culpa na Fundação Saúde, mas a Fundação já pagou há muito tempo, já está indo para outra parcela e, até agora, nada”, acrescentou.
Fundação Saúde anuncia troca de empresa
Procurada pelo ENFOCO nesta segunda-feira (26), a Fundação Saúde informou que pretende adotar novas medidas contra a terceirizada e iniciar o processo para substituí-la.
“Hoje será emitida a última notificação para a empresa. Essa semana será iniciado o processo de distrato com a CN Global e a convocação de uma nova empresa”, informou a Fundação Saúde, em nota.
A reportagem voltou a procurar a CN Global para esclarecer a falta de pagamento e questionar quando os salários e benefícios serão depositados, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.