Skip to content

Segurança Pública

Relatório aponta tortura e execução em ação com 122 mortos no Rio

Redação | Publicado em:

Lucas Alvarenga


A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados divulgou, nesta quarta-feira (10), um relatório que atribui a prática de execuções e outras violações graves durante a operação policial realizada no dia 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, quando 122 pessoas morreram. O documento propõe que as investigações sejam federalizadas.

O presidente da comissão, deputado Reimont (PT-RJ), afirmou que o conjunto de relatos e evidências exige a transferência do caso para órgãos federais. Segundo ele, há indícios consistentes de crimes cometidos após rendição e de desrespeito a normas constitucionais e internacionais.

“Os fatos relatados configuram violações diretas à Constituição e a tratados internacionais. (…) A federalização do caso é uma necessidade jurídica e moral”, disse o parlamentar.

Relatos de violência extrema

Integrantes da comissão visitaram o Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto e registraram relatos de familiares e observações sobre o estado dos corpos. Uma mãe afirmou ter entregado o filho vivo aos policiais e, horas depois, encontrado o corpo decapitado no IML. Outras vítimas apresentavam pulsos amarrados, o que, segundo o relatório, aponta para execução após rendição. Também foram identificados corpos com marcas de facadas, prática anteriormente atribuída a agentes do Bope em denúncias semelhantes.

O documento relata ainda desorganização no atendimento às famílias e sobrecarga na estrutura do instituto, que, segundo os parlamentares, entrou em colapso diante do volume de mortos.

O relatório também registra a morte de cinco policiais durante a operação. Para a comissão, os agentes foram expostos a risco extremo sem planejamento adequado, suporte médico ou logística mínima de proteção, o que, segundo o grupo, obriga o Estado a responder igualmente pelas mortes dos próprios servidores.

Violação de direitos e pedidos a autoridades

A comissão afirma que houve descumprimento de direitos fundamentais, citando o direito à vida, a proibição de tortura, o dever de proteção de pessoas sob custódia e normas internacionais de uso proporcional da força. Foram enviados ofícios ao STF, PGR, Ministério da Justiça, Polícia Federal e outras autoridades, pedindo investigação independente, preservação de provas, atuação de peritos externos e federalização do caso.

“O que vimos é incompatível com qualquer democracia. (…) O Parlamento não pode se calar diante de tortura, execução e desaparecimento. Estamos ao lado de todas as vítimas, sejam civis ou policiais”, afirmou Reimont.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que “todas as ações da polícia foram acompanhadas pelo Ministério Público e as informações prestadas ao STF. Qualquer coisa diferente disso não passa de ilação”.

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Rio

Simulação com homem acorrentado gera polêmica no Rio

Política

Flávio Bolsonaro vota no Rio, e Lula, em São Paulo

Esportes

Morre aos 61 anos Dadá Figueiredo, ícone do surfe brasileiro

Política

Eleições 2026: veja quais são os crimes eleitorais e as penas previstas