A morte do cachorro comunitário Orelha, que faleceu após ser brutalmente espancado por quatro adolescentes, em Florianópolis, Santa Catarina, vem gerando indignação por todo o Brasil. Nesta terça-feira (27), a Polícia Civil de Santa Catarina comunicou que a partir de investigações mais recentes, foi identificado que os adolescentes também teríam tentado matar outro cachorro.
Dos quatro envolvidos, dois estão nos Estados Unidos, enquanto os outros permaneceram em Santa Catarina e foram alvo de uma operação, na última segunda-feira (26).
Além deles, três familiares foram indicados pela Polícia Civil, acusados de coagir uma testemunha do caso, realizando ameaças e constrangimento, na tentativa de preservar a liberdade dos jovens.
Os agentes aguardam o retorno dos dois acusados restantes para o Brasil. De acordo com a polícia, o aeroporto contará com segurança dobrada, com o objetivo de evitar protestos e tumultos entre populares que se indignaram com a história do cão.
Repercussão nacional
Na tarde desta segunda-feira (26), o governador de Santa Catarina Jorginho Mello veio a público comentar o caso. Em um vídeo postado nas redes sociais, ele comenta sobre a importância do assunto ganhar espaço no debate nacional, como forma de combater a violência contra os animais.
Nas redes sociais, brasileiros de todo o território nacional pedem para que os culpados sejam responsabilidados. Confira alguns comentários:
Eu, as vezes tendo a pensar, que adolescentes de 16 anos, tendem a fazer merda de forma inconsciente. Mas esses moleques que mataram o cachorro Orelha, são psicopatas, demonios. Eles EMPALARAM o cachorro vivo.
— Peter (@peterjordan) January 27, 2026
Meu estomago embrulha só de pensar no sofrimento do animal. Eu to mal…
Orelha, não vamos parar de falar sobre você até que todos os responsáveis pelo que aconteceu sejam punidos. Exigimos justiça.#JustiçaPorOrelha pic.twitter.com/KA3BWT1FAO
— iti malias (@itimaliasof) January 26, 2026
No Instagram, a primeira dama Janja publicou uma nota lamentando a morte do cachorro e afirmando não entender o que motiva tal crime.
“Esse caso me faz lembrar de uma frase dita por Caetano Veloso em 1968: ‘Que juventude é essa que diz que quer tomar o poder?’ Não podemos fechar os olhos para atitudes como essa”, afirmou Janja.
Qual será a punição?
No Brasil, pessoas menores de 18 anos não podem responder por crimes da mesma forma que adultos, segundo a lei. Os quatro adolescentes, responsáveis diretos pela morte de Orelha, deverão responder ao Estatuto da Criança e do Adolescente, onde a punição pode ir desde serviços à comunidade e acompanhamento contínuo, até a liberdade assistida.
Já os adultos envolvidos no processo pelo crime de coação, irão responder judicialmente, com pena de reclusão avaliada, inicialmente de 1 a 4 anos, somada a multa.
Entenda quem é Orelha
Orelha foi um cão tido como mascote do bairro de Praia Brava, um dos mais nobres de Florianópolis. Muito adorados pelos moradores da comunidade, o cachorro contava com uma das três casinhas que foram destinadas aos cães mascotes da região.
Após os atos de crueldade, ele foi encontrado ferido em uma mata, e precisou ser eutanasiado por conta da gravidade dos machucados.
A notícia da morte do animal foi motivo de revolta em Praia Brava, quando inúmeros moradores fizeram um protesto, que ocorreu no último sábado (24), usando camisas em homenagem ao Orelha, junto dos animais de estimação e cartazes pedindo por justiça.