
Conhecido nos registros policiais pelo apelido de “Pochete”, Douglas Vieira da Silva construiu, segundo as autoridades, uma trajetória marcada por violência, domínio territorial e reincidência criminal. Aos 35 anos, ele acumula dezenas de anotações por crimes graves e figurava em listas de procurados da polícia até ser preso, nesta quarta-feira (28), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
De acordo com a Polícia Militar, Pochete soma 27 registros criminais, sendo 18 por homicídio, além de passagens por tráfico de drogas, roubo e furto. Contra ele, havia ainda 14 mandados de prisão em aberto expedidos por varas criminais de São Gonçalo. Para os investigadores, trata-se de um dos nomes mais recorrentes envolvendo ações violentas ligadas ao tráfico na região.
A prisão ocorreu na comunidade do Santo Cristo, no bairro Fonseca, durante uma operação do 12º BPM (Niterói). Segundo a corporação, o criminoso foi localizado no quintal de uma residência e não ofereceu resistência no momento da abordagem. No imóvel, os policiais apreenderam um fuzil e duas pistolas, além de munições. Dois homens apontados como comparsas também foram detidos.
Morte de soldados
Entre os crimes atribuídos a Pochete está a participação no assassinato de dois soldados do Exército, ocorrido em julho de 2020, em São Gonçalo. Conforme as investigações, os militares Daniel Ferreira de Azevedo, de 19 anos, e Victor Hugo Xavier, de 18, passaram a noite assistindo a uma partida de futebol em uma casa de festas no bairro Mutondo e, posteriormente, seguiram para um bar no bairro Raul Veiga.

Ainda segundo a polícia, após deixarem o local acompanhados de duas jovens, os soldados se envolveram em uma discussão provocada por um acidente de trânsito com um veículo ligado ao traficante André Luís Affonso, conhecido como “Pai da Alma”. Os investigadores afirmam que, depois de serem identificados como militares, os dois foram executados a tiros.
Na manhã seguinte, em 13 de julho, os corpos foram encontrados carbonizados dentro do carro incendiado na Rua Francisco José da Silva, no bairro Pacheco. Um deles estava no porta-malas e o outro, no banco traseiro.
Como ele foi preso
A ação que resultou na prisão de Pochete teve início após uma denúncia anônima. A PM foi informada de que o traficante estaria mantendo uma família sob ameaça e impondo um serviço clandestino de internet na comunidade, com o corte de cabos de empresas regulares.
Durante a operação, os agentes encontraram os moradores dentro da casa enquanto o suspeito permanecia na área externa do imóvel. Além do armamento apreendido, a polícia destaca que os dois comparsas presos na mesma ação possuem antecedentes por tráfico de drogas, roubo e violência doméstica.
Segundo a PM, o grupo atua ligado à facção Terceiro Comando Puro (TCP), que vem tentando ampliar sua influência em Niterói por meio de extorsões e do controle de serviços na comunidade. Após a prisão, os suspeitos foram encaminhados à 78ª DP (Fonseca) e, posteriormente, à 76ª DP (Centro), onde o caso foi registrado. Eles permanecem à disposição da Justiça.