Circula pelas redes sociais o relato de um caso confirmado de Mpox, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A informação, no entanto, foi negada nesta quinta-feira (26) pela Secretaria Estadual de Saúde, que destacou 13 já confirmados em todo o estado, mas nenhum no município. Outros casos seguem sob investigação.

O boato surgiu nesta quarta a partir da imagem de uma mulher com ferimentos similares aos provocados pela doença, e que seria moradora do bairro Barreto, na Zona Norte de Niterói.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a maioria dos casos está concentrada na Capital. Além do Rio, também foram registrados casos em Araruama, na Região dos Lagos, Duque de Caxias e Queimados, na Baixada Fluminense.
O que é a MPox?
Apesar da preocupação, especialistas reforçam que não há motivo para pânico, embora seja redobrar os cuidados e ficar atento aos sintomas.
A Mpox é uma doença viral transmitida de pessoa para pessoa. Qualquer pessoa pode apresentar sintomas. Entre os sinais mais comuns estão: cansaço, febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, ínguas e o surgimento de bolhas ou feridas na pele.
Transmissão
A transmissão mais comum se dá pelo contato direto com:
- Lesões de pele: Contato com as erupções cutâneas, bolhas ou crostas de uma pessoa infectada.
- Fluidos corporais: Sangue, sêmen ou secreções vaginais.
- Secreções respiratórias: Gotículas expelidas pela fala, tosse ou espirro, geralmente exigindo contato próximo e prolongado (cara a cara).
- Contato íntimo e sexual: Inclui beijos, abraços e relações sexuais, onde há contato pele a pele ou com mucosas.
Contato com Materiais Contaminados
O vírus pode sobreviver em superfícies por algum tempo. A transmissão ocorre ao tocar em objetos que tiveram contato com as lesões ou fluidos da pessoa infectada, como:
- Roupas de cama e toalhas.
- Vestuário.
- Utensílios de uso pessoal (talheres, pratos, etc.).
Transmissão Vertical e Outras Vias
- Gestacional: Da mãe para o feto através da placenta (transmissão vertical).
- Pós-parto: Durante o contato próximo entre o progenitor infectado e o recém-nascido.
- Zoonótica: O contato com animais silvestres infectados (como roedores) também é uma via possível, embora menos comum nos surtos urbanos atuais no Brasil.
Dados da doença no estado do Rio
Segundo dados do Centro de inteligência em Saúde do RJ em 2026, até esta quinta (26), já foram notficiados 84 casos de Mpox, com 13 confirmações em todo o estado; e sem ocorrência de óbitos. Em 2025, no mesmo período, foram confirmados 16 casos e, em 2024, 92 casos.
No ano passado, 117 casos de Mpox foram confirmados, sem óbitos. Já em 2024, foram 323 casos ao longo de todo o ano, e também não houve óbitos.
Fui contaminado, e agora?

Quem suspeitar de contaminação deve procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e confirmação por exame laboratorial.
A SES-RJ aponta que o intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da Mpox (período de incubação) é tipicamente de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias.
Em caso de suspeita, a recomendação é fazer isolamento imediato, evitar contato próximo com outras pessoas e não compartilhar objetos de uso pessoal até o desaparecimento completo dos sintomas.
Existe tratamento?
Não há um medicamento específico contra o vírus da Mpox. O tratamento é voltado para alívio da dor, controle da febre e prevenção de complicações. É fundamental ficar atento à piora dos sintomas, aumento das bolhas pelo corpo ou problemas nos olhos, como inchaço e conjuntivite.
A Mpox é causada por um vírus. É falsa a informação de que a doença seja efeito colateral de vacinas contra a Covid-19, por exemplo.
A doença ficou conhecida no passado como “varíola dos macacos”, mas o nome foi alterado pela Organização Mundial da Saúde para Mpox, justamente para evitar estigmatização e desinformação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Primatologia, macacos não transmitem a doença para humanos. Todas as transmissões registradas ocorreram entre pessoas. Em 2022, houve inclusive casos de agressões a primatas por desinformação, algo que as autoridades alertam para que não se repita.