A Polícia Civil prendeu, nesta quarta-feira (11), o vereador carioca Salvino Oliveira, (PSD), durante a operação Contenção Red Legacy que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e apoio logístico à facção criminosa Comando Vermelho. Além do parlamentar, cinco policiais militares também foram presos.
Entre os investigados que ainda não foram localizados está Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, companheira do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam. Outro procurado é um sobrinho de Marcinho VP.
Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir, no total, 13 mandados de prisão. Até a última atualização desta reportagem, 6 pessoas haviam sido presas, e 4 alvos já estavam encarcerados.
O objetivo da operação, segundo a polícia, é desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, “identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada”.
Acusações contra Salvino
De acordo com as investigações, Salvino Oliveira, que já ocupou o cargo de secretário especial da Juventude do Rio, teria mantido negociações diretas com lideranças da facção para garantir exclusividade eleitoral na comunidade da Gardênia Azul. Em troca da autorização dos criminosos para atuar politicamente na região, o vereador teria oferecido benefícios a integrantes do tráfico, como a instalação de quiosques na comunidade.
Ainda segundo a apuração, o acordo teria sido tratado diretamente com Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. O parlamentar, no entanto, nega qualquer envolvimento.
Os policiais militares presos são suspeitos de repassar informações sigilosas à organização criminosa. Já Márcia Nepomuceno é investigada por atuar como intermediária de Marcinho VP em ações da facção. Outro alvo da investigação é Landerson Lucas dos Santos, sobrinho do traficante, também citado nas apurações.
Ao chegar à delegacia, Salvino Oliveira afirmou não ter ligação com os investigados e disse desconhecer os demais alvos da operação. “Entrei na política para mudar a vida das pessoas e estou sendo vítima de uma disputa política que não é minha”, declarou.
Em nota, a defesa do vereador informou que aguarda esclarecimentos das autoridades para compreender os fatos investigados.