A pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância ouviu cerca de 600 famílias em três comunidades: Guamá, Ibura e Pavuna. Os dados mostram que, apesar de 84% dos entrevistados declararem preocupação com alimentação saudável, o consumo de ultraprocessados por crianças é elevado:
- Presente em metade dos lares no lanche infantil
- Em 25% das casas, aparece já no café da manhã
Entre os produtos mais consumidos estão iogurtes com sabor, embutidos, biscoitos recheados, refrigerantes e macarrão instantâneo.
Os ultraprocessados são produtos industriais que combinam alimentos naturais com aditivos químicos como corantes, aromatizantes e emulsificantes.
O problema é que o consumo frequente de ultraprocessados crianças está associado a riscos como:
- Obesidade
- Diabetes
- Doenças cardíacas
- Depressão
- Câncer
Além disso, esses produtos são formulados para ter sabor intenso e alta durabilidade, o que favorece o consumo contínuo.
Um dos fatores centrais apontados pelo estudo é a divisão desigual de tarefas. Nas famílias analisadas:
- 87% das mães compram alimentos
- 82% preparam a comida
- Pais têm participação bem menor nessas atividades
Essa realidade faz com que a praticidade pese — e, nesse cenário, os ultraprocessados crianças acabam sendo uma solução rápida diante da rotina sobrecarregada.
Outro dado preocupante é o desconhecimento sobre o que são ultraprocessados. Muitos itens foram considerados saudáveis pelos entrevistados, como:
- Iogurtes com sabor
- Nuggets preparados na airfryer
Além disso:
- 26% não entendem a rotulagem frontal
- 55% não observam os avisos
- 62% nunca deixaram de comprar por causa deles
Esse cenário reforça como a falta de informação contribui para o aumento do consumo de ultraprocessados crianças.
O custo também tem papel decisivo. A maioria das famílias considera produtos ultraprocessados baratos, enquanto alimentos frescos são vistos como caros:
- Verduras: 68% consideram caras
- Frutas: 76%
- Carnes: 94%
Além disso, há um componente afetivo importante: muitos pais associam esses alimentos a uma infância melhor, por não terem tido acesso a eles no passado.
Esse fator emocional fortalece ainda mais a presença de ultraprocessados crianças no dia a dia.
O estudo propõe medidas para reduzir o consumo e melhorar a alimentação infantil:
- Regulamentar publicidade infantil de alimentos
- Incentivar alimentação saudável nas escolas
- Expandir creches e ensino integral
- Ampliar orientação alimentar nos serviços de saúde
- Fortalecer iniciativas comunitárias como hortas
- Melhorar a comunicação sobre rotulagem
As escolas, inclusive, aparecem como ponto-chave, já que muitas famílias confiam na alimentação escolar.