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Segurança Pública

Perigo no trajeto: veja como o tráfico no RJ usa o Google Maps para ocultar ‘bocas de fumo’

Redação | Publicado em:

Google Maps
Ponto de venda de drogas chamado 'boca da Galinha' é listado como centro médico, em Niterói. Foto: Reprodução / Google Street View

Criminosos estão usando o Google Maps para disfarçar pontos de venda de drogas como se fossem locais comuns em áreas do Rio e Niterói, expondo a população a risco.

Endereços em comunidades como a Maré e a Penha, na zona norte da capital, além do Cantagalo, em Niterói, aparecem na plataforma como centro religioso, cafeteria ou até unidade de saúde. Na prática, esses pontos funcionariam como “bocas de fumo”, segundo denúncias.

Na Maré, por exemplo, um local identificado como ‘boca da FM’ surge no mapa como centro espírita. Já na Penha Circular, outro endereço aparece como cafeteria. Em Niterói, um ponto chamado ‘boca da Galinha’ é listado como centro médico.

Riscos da desinformação

A estratégia, conforme relatos, usa nomes comuns para despistar a polícia e atrair menos atenção, mas também pode confundir moradores, motoristas de aplicativo e entregadores que dependem do GPS no dia a dia. Alguns desses locais ainda acumulam avaliações na plataforma, o que reforça o disfarce.

“Os riscos são grandes para a população. Uma pessoa que não seja familiarizada com determinada região pode incorrer no erro de ignorar a existência de uma localidade de interesse de grupos criminosos armados ou mesmo para lá se dirigir, equivocadamente”, argumenta Lenin Pires, antropólogo e pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC/UFF).

Pires afirma que a prática aponta para a maior sofisticação das facções.

“Essa é uma prática que requer conhecimento especializado de como fazer esse tipo de alteração em uma plataforma disponível a partir de um provedor público. Logo, exibe um grau de sofisticação significativo”, comenta.

Sobre o combate a esse tipo de crime, ele destaca a necessidade de ações integradas:

“Somente com aplicação de técnicas de pesquisa e investigação, bem como recorrendo a participação das populações das localidades, é possível manter a devida atenção para solicitar às plataformas as devidas correções, bem como buscar no judiciário o apoio necessário para que estas empresas redobrem suas medidas de segurança contra essas ações invasoras de seus domínios tecnológicos”, diz Lenin Pires.

Combate ao tráfico

Procurada, a Polícia Civil disse que atua de forma firme e contínua no combate ao narcotráfico e às facções criminosas, por meio de ações estratégicas baseadas em inteligência, investigação qualificada e diligências permanentes.

‘O trabalho visa identificar lideranças, desarticular estruturas criminosas e responsabilizar seus integrantes, enfraquecendo a atuação dessas organizações e seus impactos na segurança da população’, pontua a instituição em nota.

Alerta

O antropólogo Lenin Pires, do InEAC/UFF, faz um alerta aos motoristas para não confiar somente na tecnologia.

“Não confiar só no Google Maps quando estiver, reconhecidamente, entrando em áreas que não sejam de seu conhecimento. Neste caso, é sempre bom se informar com antecedência sobre as melhores rotas a seguir naquelas localidades e, em caso de dúvida, recorrer à estabelecimentos e instituições locais para se informar adequadamente”, orienta.

Como denunciar?

O Ministério Público do Rio (MPRJ) justificou que, com relação às investigações relacionadas à atividade criminosa, os procedimentos são sigilosos, não podendo ser fornecidas informações a respeito. A população também pode encaminhar denúncias, reclamações e sugestões ao MPRJ por meio dos canais de atendimento da Ouvidoria.

O formulário eletrônico funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Já o Call Center 127, com ligação gratuita, atende de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 9h às 18h. O atendimento presencial acontece no mesmo período, das 9h às 17h, na Avenida Marechal Câmara, nº 370, subsolo, no Centro do Rio de Janeiro.

O que diz o Google

Também questionado pelo ENFOCO, o Google afirmou que “essas listagens violam as políticas da plataforma e que já estão sendo removidas. O Google afirma que usuários pode denunciar conteúdos falsos ou impróprios, e que a medida contribui para a manter as informações no Google Maps precisas e confiáveis.

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