Uma viagem de barca entre Niterói e o Rio de Janeiro terminou em gritaria, troca de ofensas e discussão política na manhã desta quinta-feira (22). O episódio aconteceu na linha Arariboia-Praça XV, por volta das 11h10, e envolveu passageiros com opiniões divergentes sobre política.
Sob anonimato, por medo de represálias, uma passageira que seguia para o trabalho, no Centro do Rio, contou ao Enfoco que presenciou a confusão. Segundo ela, uma mulher começou a falar sobre política durante o trajeto. A situação acabou envolvendo outros passageiros e exigiu a presença de seguranças.
“Uma mulher, com adesivo colado em sua blusa, se identificou como estudante e começou a discursar sobre política nas barcas. Os seguranças chegaram apenas para ficar perto, a fim de evitar qualquer tipo de conflito caso acontecesse, e uma outra mulher começou a chamá-los de opressores”, relatou.
De acordo com a passageira, a discussão ganhou força quando outros usuários entraram no debate, com gritos envolvendo os nomes dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A testemunha afirmou que uma mulher vestida de cinza se exaltou e passou a ofender os presentes, chamando-os de “f*didos” e “idiotas”, após, segundo ela, um homem gritar o nome de Bolsonaro.
“Os seguranças não fizeram nada com a menina, para deixar bem claro”, pontuou a usuária das barcas.
Passageira relata outro episódio
A mulher que presenciou a confusão desta quinta-feira afirma que situações semelhantes têm ocorrido com frequência durante as viagens. Ela também relatou outro episódio, no último dia 7 de outubro, quando, segundo seu relato, três mulheres discutiram com uma idosa dentro da embarcação, de Niterói até o Rio.
“Da última vez foram 30 minutos de travessia com três mulheres gritando com uma idosa, por pensarem diferente. Isso além de ser desrespeitoso, chega a ser covardia. Precisei pedir respeito, para que parassem pelo menos ali, já que tinham muitas pessoas cansadas indo trabalhar. Não tenho problema nenhum com manifestação. Acho legítimo se posicionar e lutar pelo o que acredita. Mas isso precisa ser feito de forma pacífica, sem desrespeitar ou prejudicar quem não tem nada a ver com a situação. Só queria ir em paz para o trabalho”, desabafou.
O que diz a Setram?
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) não havia se manifestado sobre os episódios até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.