Enquanto milhares de adolescentes abandonam os estudos e os sonhos após engravidarem, uma ONG da Zona Oeste do Rio de Janeiro tenta mudar essa realidade oferecendo apoio, atividade física, capacitação e até espaço para cuidar dos filhos das participantes. Só em 2024, mais de 273 mil bebês nasceram de mães com até 19 anos no Brasil.
Em bairros como Pedra de Guaratiba e Santa Cruz, jovens grávidas e mães de até 25 anos recebem acompanhamento para evitar que a maternidade precoce represente isolamento, dependência financeira e fim da perspectiva profissional.
A iniciativa reúne oficinas, práticas esportivas e suporte para que as participantes consigam estudar, se qualificar e pensar no futuro sem precisar escolher entre cuidar dos filhos ou cuidar de si mesmas. Enquanto as mães participam das atividades, as crianças ficam em um espaço de acolhimento voltado para bebês e crianças de até 5 anos.
“Quando existem iniciativas assim, geralmente são muito caras. Isso ajudou muito a gente, porque, na maioria das vezes, precisamos ficar em casa cuidando dos filhos”, contou Thamiris dos Santos Pereira.
Ela também destacou a importância do espaço destinado às crianças.
“A gente vinha pra cá, deixava os filhos na salinha destinada às crianças e conseguia focar totalmente nas aulas”, afirmou.
O trabalho é desenvolvido pela Empodera — Transformação Social pelo Esporte por meio do projeto Futuros Seguros, que já atende mais de 440 adolescentes grávidas e jovens mães, além de beneficiar diretamente familiares e pessoas da comunidade.
As participantes passam por etapas voltadas para autoestima, autonomia, maternidade e inserção profissional. Depois dessa fase, muitas seguem para outro projeto da ONG, voltado ao primeiro emprego e à qualificação profissional.
A proposta é criar um caminho contínuo para que essas jovens consigam romper ciclos de vulnerabilidade social e conquistar independência financeira.