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Segurança Pública

Polícia investiga confusão com vereadora em shopping de Niterói

João Alves | Publicado em: - Atualizado 5 meses atrás

Suposta agressão sofrida por vereadora trans vira caso de polícia em Niterói
Benny Briolly (PT) registrou um boletim de ocorrência após um tumulto no Plaza Shopping. Foto: Redes sociais/ Reprodução

O debate sobre o lugar de mulheres trans em banheiros públicos virou caso de polícia, após o tumulto envolvendo a vereadora Benny Briolly (PT) e um homem, no Plaza Shopping, em Niterói, na noite da última terça-feira (19). Depois de deixar o centro comercial, na Região Metropolitana do Rio, a parlamentar foi até a Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam), onde declarou ter sido agredida. O caso é investigado sob sigilo.

O episódio de suposta agressão se deu na porta de um dos banheiros femininos do shopping, quando Benny Briolly e parte de apoiadoras que a acompanhava tentavam utilizar o sanitário e foram impedidas por um homem.

Vídeos mostram que, depois de um diálogo tenso entre a vereadora e o homem, que se colocava de intermédio entre ela e o banheiro das mulheres, um “empurra-empurra” acontece e a parlamentar cai no chão. Graças a intervenção de seguranças do Plaza Shopping, a petista é amparada e o homem é afastado do local. Pelas imagens que viralizaram nsa redes não é possível flagrar o momento da suposta agressão apontada pela parlamentar.

Posteriormente a briga, Benny pediu uma cadeira de rodas, declarando que, além das agressões, estava passando mal pela situação e por respirar spray de pimenta, que foi jogado no local. Nos mesmos vídeos, é possível notar que o spray foi utilizado por uma das manifestantes que acompanhava a vereadora, como forma de autodefesa. A parlamentar deixou o shopping de maca, levada por uma ambulância.


Quem era o homem?

O agressor foi chamado por Benny Briolly, nas redes e em sessão no plenário da Câmara Municipal, que ocorreu na tarde desta quinta-feira (21), como um ‘bolsonarista’. Na mesma sessão, vereadores da oposição, que também estavam no shopping na noite do episódio, reiteraram que o acusado não passava de um ‘popular’. Ele não teve identidade revelada.

Procurado, o Plaza Shopping declarou que o suposto agressor não faz parte da equipe de segurança do centro comercial, ou possui qualquer relação com a administração.

Questionado sobre o por que os seguranças do local não intervieram quando o homem adentrou o banheiro feminino, o Plaza limitou-se a dizer que ‘não encoraja manifestações de qualquer natureza dentro do seu espaço’.


Ato cancelado, gritaria e confusão

O caos na noite de terça-feira (19) começou quando, às vésperas de um ato de protesto no Plaza Shopping, no Centro de Niterói, a vereadora Benny Briolly decidiu cancelar a manifestação com a própria militância, segundo ela, em decorrência das diversas ameaças de morte que sofreu nas redes sociais.

Mesmo alertando que o protesto estava cancelado, a petista compareceu presencialmente no prédio comercial, acompanhada de algumas poucas manifestantes, também mulheres trans.

Em paralelo, os parlamentares Douglas Gomes (PL), Allan Lyra (PL) e Fernanda Louback (PL) também marcaram presença no local, em uma tentativa de contrapor a possível tentativa de manifestação da petista.

Douglas chegou a subir em uma das cadeiras da praça de alimentação do shopping, gritando em protesto contra Benny Briolly. Ao lado dele, Lyra e Louback.

De quem é a culpa?

Em declaração na Câmara Municipal, Benny Briolly responsabilizou a oposição pela confusão que passou na porta do banheiro do shopping. Segundo a parlamentar, a reação do suposto agressor foi inflamada pela postura dos vereadores do PL, que praticam “discurso de ódio” ao debater pautas trans.

“Querem me colocar em um lugar que não serei colocada. Não irei tolerar a política de violência de gênero feita por aqueles que utilizam o parlamento para isso”, disse a petista, com a palavra na Câmara.

Douglas Gomes e Alan Lyra se defenderam da atribuição, citando o acúmulo de faltas da vereadora na casa legislativa de Niterói e afirmando que Benny “construiu uma narrativa” ao relatar os eventos que aconteceram dentro do Plaza.

João Alves

Amante do cinema, se descobriu no jornalismo através de conversas e boas histórias. É focado em contar os relatos de quem vive o dia a dia no Rio de Janeiro, sempre atento às denúncias dos leitores.

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