Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira (3) prendeu uma mulher acusada de aplicar golpes envolvendo a negociação de obras de arte e a intermediação da venda de um imóvel de alto padrão no Rio de Janeiro. A ação também resultou na prisão em flagrante de um advogado por receptação e na recuperação de uma obra de arte avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões.
Batizada de “Operação Tela Falsa”, a ofensiva foi conduzida por agentes da Delegacia de Defraudações (DDEF), que cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços localizados em Ipanema, Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Niterói.
Segundo a investigação, a principal alvo do inquérito teria criado uma imagem de credibilidade para conquistar a confiança da vítima, proprietária de um antiquário. Os policiais apuraram que ela se apresentava como advogada e herdeira de um patrimônio expressivo, utilizando essa narrativa para viabilizar supostos negócios envolvendo obras de arte e um imóvel situado em Copacabana, na Zona Sul da cidade.
De acordo com a Polícia Civil, a golpista convencia a vítima a realizar pagamentos antecipados e aportes financeiros sob a promessa de negociações lucrativas. Durante as investigações, os agentes identificaram indícios do uso de documentos supostamente falsificados, comprovantes bancários sem cobertura financeira e cheques que acabaram devolvidos por fraude.
Os prejuízos inicialmente identificados ultrapassam R$ 2 milhões, mas as autoridades investigam a possibilidade de danos ainda maiores. A apuração também revelou o desaparecimento ou a negociação sem autorização de obras de arte pertencentes à vítima.
Como funcionava o golpe
As investigações apontam que a mulher recebeu obras de arte de elevado valor para intermediar vendas, mas passou a negociá-las como se fossem de sua propriedade. Entre as peças envolvidas estão trabalhos atribuídos a artistas de destaque no mercado nacional.
Segundo os investigadores, quatro obras foram entregues à acusada e teriam valor conjunto superior a R$ 10 milhões. Parte desse acervo continua desaparecida.
Uma das peças, que estava sendo procurada pela polícia, foi localizada durante a operação na residência de um advogado. O homem foi preso em flagrante por receptação. Outras três obras seguem sendo procuradas.
Além das negociações envolvendo obras de arte, o inquérito apura uma fraude relacionada à venda de um imóvel em Copacabana. Conforme as investigações, a suspeita teria recebido valores referentes ao sinal da transação sem possuir autorização legítima para concluir o negócio ou efetivar a venda.
A mulher já havia sido denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Os investigados poderão responder por crimes como estelionato, apropriação indébita e receptação.