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Maricá

Morte de jovem reacende alerta sobre cavalos soltos em Maricá: ‘Nada muda’

Ezequiel Manhães | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

Grave acidente resultou na morte do jovem motociclista Kawan da Silva Macedo, de 22 anos. O cavalo também não resistiu aos ferimentos. Foto: Colaboração / Rodrigo Pereira

A morte do motociclista Kawan da Silva Macedo, de 22 anos, após ser surpreendido por um cavalo que invadiu a pista da RJ-106, expôs um problema que continua colocando em risco a vida de quem trafega pela rodovia. Somente neste ano, a Prefeitura de Maricá registrou 53 ocorrências envolvendo animais de médio e grande porte soltos em vias públicas e apreendeu 69 equinos, segundo levantamento obtido pelo ENFOCO. Em 2025, foram 65 ocorrências e 74 cavalos recolhidos.

Os números mostram que, apesar das ações permanentes de fiscalização e recolhimento realizadas pelo município, a presença de animais soltos nas pistas continua sendo uma ameaça e já provocou mais uma tragédia.

O acidente aconteceu na madrugada da última terça-feira (30), por volta das 5h30, no km 22,5 da RJ-106, em São José do Imbassaí, no sentido Maricá. Kawan estaria a caminho do trabalho e pilotava uma motocicleta Honda CG 160 Fan quando acabou surpreendido por um cavalo que estava na pista. O impacto foi tão forte que o jovem morreu ainda no local. O animal também não resistiu aos ferimentos.

Quem passava pela região presenciou as consequências da colisão. O fotógrafo Rodrigo Pereira, de 46 anos, que fazia sua caminhada nas proximidades, contou que ouviu o barulho da batida e voltou a cobrar providências para o problema dos animais soltos nas vias.

“Por volta das 5h30 eu passando aqui, ouvi um estrondo na pista. Uma pessoa em alta velocidade de moto colidiu com um cavalo. Há anos que eu falo: é um problema seríssimo na nossa cidade. É um problema cultural. São pessoas que não têm a mínima condição de ter um animal desse porte, que compram barato, criam em terreno baldio para comer capim. Já que não têm condições, os animais vivem soltos, em beira de pista, às vezes caminham para a rodovia e acontece isso aqui. O animal morreu na hora e infelizmente a pessoa veio a óbito também. E a gente pergunta: quem fiscaliza? Quem resolve isso? Por que não há uma lei sobre isso? Nada muda na cidade”, questionou.

Morador do bairro de Ponta Grossa e amante da causa animal, Rodrigo disse à reportagem que há 12 anos, foi um dos criadores da 1° Coordenação de Proteção Animal em Maricá. Ele conta que um dos projetos visava criar um cadastramento de animais de grande porte para ter uma logística em casos específicos. “Infelizmente, não tive apoio”, ressaltou.

Nas redes sociais, parte da população denuncia que é frequente a aparição de cavalos às margens da RJ-106.

“Vira e mexe tem cavalo solto por ali. Dependendo da velocidade, você até consegue desviar. O dono do animal deveria ser preso, mas nessa hora eles nunca aparecem”, comentou um outro morador. “O dono do cavalo precisa ser responsabilizado pela vida desse rapaz! Não importa se estava rápido ou devagar… se não tivesse cavalo solto, certamente ele teria chegado ao trabalho”, disse outra internauta.

Equipes do Corpo de Bombeiros confirmaram o óbito, enquanto agentes da Polícia Civil realizaram a perícia. A ocorrência também foi acompanhada por policiais militares da Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran). O trecho da rodovia precisou ser parcialmente interditado durante o atendimento.

Após a tragédia, a Prefeitura de Maricá informou ao ENFOCO que intensificou as rondas e a fiscalização nos pontos considerados mais críticos da RJ-106 para tentar evitar novos acidentes provocados por animais soltos.

“Eu caminho diariamente às margens da rodovia. Já vi diversos atropelamentos, não só de cavalo. Não só eu, mas parte da população que utiliza ponto de ônibus”, frisou o morador Rodrigo Pereira.

Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura e Pecuária, o município mantém ações permanentes de fiscalização e recolhimento de animais de médio e grande porte encontrados em vias públicas. De acordo com a administração municipal, as operações são realizadas a partir de denúncias da população, comunicações de órgãos públicos e rondas preventivas, especialmente nos trechos prioritários da rodovia.

O município também destacou que a legislação prevê multa para que o proprietário recupere o animal apreendido. Em caso de reincidência, o equino pode ser confiscado definitivamente.

A prefeitura também reforçou o pedido para que a população denuncie a presença de animais soltos nas vias. As ocorrências podem ser comunicadas pelo telefone (21) 97416-1039.

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

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