Pouco mais de três anos após a morte de Lorenzo Dias Palinhas, de 14 anos, durante uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou quatro policiais envolvidos na ação. Dois deles vão responder por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, enquanto outros dois foram acusados de manter adolescentes apreendidos de forma ilegal.
Segundo o MPF, a investigação reuniu laudos, imagens, vídeos, depoimentos e perícias que apontam a responsabilidade dos agentes. O caso agora será analisado pela Justiça Federal.
De acordo com a denúncia, a operação aconteceu poucas horas depois da morte do policial rodoviário federal Bruno Vanzan Nunes, vítima de um latrocínio. Cerca de 20 agentes da PRF foram ao Complexo do Chapadão em busca de suspeitos, mas, segundo o MPF, a ação ocorreu sem ordem formal, planejamento ou relatório operacional.
A investigação aponta que Lorenzo e outro adolescente, que trabalhavam como entregadores, voltavam para casa de moto quando foram abordados e liberados pelos policiais, em outubro de 2022. Minutos depois, os dois foram alvo de cinco tiros enquanto passavam por uma viela. O MPF afirma que eles estavam desarmados, não houve troca de tiros e os jovens estavam de costas para os agentes. Lorenzo foi atingido na parte de trás da cabeça e morreu. O outro adolescente conseguiu escapar após a moto cair.
As provas incluem exames balísticos, imagens gravadas por moradores, laudos periciais e registros da própria PRF. Segundo o MPF, os dois policiais denunciados admitiram ter feito os cinco disparos.
Além disso, outros dois agentes foram denunciados por manter dois adolescentes apreendidos sob custódia por várias horas antes de levá-los à delegacia, em desacordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Um dos jovens, segundo a denúncia, foi transportado algemado na caçamba da viatura mesmo estando ferido.
O MPF pede que os dois policiais acusados pelos disparos sejam julgados pelo Tribunal do Júri e que a Justiça determine o pagamento de indenizações à família de Lorenzo e ao adolescente que sobreviveu à ação.
Procurada, a PRF informou, por meio de nota, ‘que há investigação interna aberta para apurar a conduta e a responsabilidade dos policiais rodoviários federais envolvidos na operação conjunta’.
No âmbito do processo interno, a PRF afirma que ‘pediu cópia da investigação do Ministério Público Federal (MPF) e aguarda o compartilhamento das informações pelo MPF para prosseguimento das apurações internas’.