Quase seis anos após a execução do contraventor Fernando Iggnácio, a Justiça do Rio de Janeiro condenou dois dos envolvidos no crime. Nesta sexta-feira (17), o I Tribunal do Júri sentenciou os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro a mais de 30 anos de prisão pelo homicídio ocorrido em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital.
O juiz Thiago Portes, responsável por presidir o julgamento, fixou a pena de Pedro Emanuel em 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, enquanto Otto Samuel foi condenado a 31 anos, 5 meses e 6 dias. Ambos cumprirão a pena em regime inicialmente fechado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Fernando Iggnácio foi morto logo após desembarcar de um helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes.
Os executores, segundo a investigação, permaneceram escondidos em um terreno vizinho aguardando a chegada da vítima. Assim que o contraventor deixou a aeronave, diversos disparos de fuzil foram efetuados, caracterizando uma emboscada planejada.
Na sentença, o magistrado destacou a extrema violência empregada na execução e afirmou que o crime foi marcado por “frieza e violência exagerada”.
Um dos fatores que aumentaram a pena foi o fato de a esposa da vítima ter presenciado toda a execução. Ela permanecia no helicóptero quando viu o marido ser morto a poucos metros de distância.
O juiz também ressaltou que Pedro Emanuel era policial militar na época dos fatos e utilizou conhecimentos adquiridos na corporação para atuar, segundo a decisão, em benefício da chamada “máfia do jogo do bicho”, circunstância considerada agravante.
Durante o julgamento, os dois réus permaneceram em silêncio. Após a condenação, a defesa informou que recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça.
O assassinato de Fernando Iggnácio continua sendo desdobrado na Justiça. Em abril deste ano, Rodrigo Silva das Neves também foi condenado a mais de 32 anos de prisão por participação no crime.
Já o apontado como mandante, Rogério de Andrade, responde ao processo em uma ação separada. Ele permanece preso em um presídio federal e aguarda o andamento do processo judicial.